Giulia não disse nada enquanto me puxava pelo corredor. Só caminhava com aquele sorriso de quem sabe exatamente onde está indo.
Ela empurrou uma porta dupla de madeira escura, e o ar mudou imediatamente.
A biblioteca dos Castellani não era só grande. Era imponente. As estantes iam do chão ao teto, cheias de livros antigos, alguns com lombadas gastas, outros com títulos em idiomas que eu nem reconhecia. Havia escadas móveis, uma mesa baixa de leitura, poltronas de couro, janelas altas por onde a luz da tarde entrava filtrada, quase reverente.
Fiquei parada, absorvendo tudo.
— Meu Deus… — murmurei. — Isso aqui é incrível.
Passei os dedos pelas lombadas. Muitos livros tinham anotações à mão, marcas antigas, páginas dobradas.
— Vocês realmente leem tudo isso? — perguntei.
— Nem de longe — Giulia riu baixo. — O papai lê. O Lorenzo também. O resto da família vem mais pra pensar… ou pra fugir da bagunça.
Assenti devagar.
— Agora eu entendo porque o disse que Lorenzo vem pra cá.
Giul