Mundo ficciónIniciar sesiónO sol nasceu, mas a casa ainda parecia mergulhada na noite, envolta por uma sombra que o brilho da manhã não conseguia dissipar.
Ninguém na casa tinha conseguido dormir. Eu me revirava na cama, revivendo o clarão da explosão, o cheiro acre de pólvora impregnado nas narinas, o grito agudo de alguém que ainda ecoava como um pesadelo dentro da minha cabeça. E, no meio de tudo, a mesma pergunta me rasgava, como uma adaga girando no peito: e se isso foi por minha causa? Vesti a primeira roupa que encontrei — uma blusa amassada e um short jeans — e desci descalça, os pés tocando o chão frio como se ancorassem minha mente caótica. Alguns funcionários já recolhiam os destroços da noite: taças quebradas espalhadas como fragmentos de um sonho interrompido, flores murchas, um pedaço do letreiro “Feliz Ano Novo” caído no chão, torto e irônico. Nada ali parecia novo. Tudo danificado, como eu. Lorenzo estava no escritório, eu o vi pa






