O sol já estava alto no céu quando voltamos à casa dos Castellani. O vento trazia o cheiro de maresia misturado ao aroma de pão fresco vindo da cozinha, e por um momento, juro que desejei que aquele fosse meu lar.
Meu corpo ainda carregava marcas invisíveis da noite anterior, não de dor, mas de proximidade. De risadas baixas, beijos roubados, mãos que não pediam licença. Lorenzo tinha sido cuidadoso comigo, com o pé machucado, com o ritmo, com tudo… mas isso não nos impediu de explorar cada canto da cabana como dois adolescentes escondidos do mundo.
O pé ainda doía, um lembrete incômodo da trilha, mas Lorenzo insistia em me ajudar a subir cada degrau, o braço firme ao redor da minha cintura, mesmo quando eu insistia que conseguia me virar.
— Eu consigo sozinha — tentei protestar, meio rindo.
— Eu sei — respondeu, sem afrouxar o aperto. — Mas prefiro não arriscar.
Catarina nos recebeu com aquele sorriso doce e um olhar que parecia enxergar além das palavras.
— Estavam lindos, você