Camille saiu do quarto como quem atravessa uma fronteira invisível. A porta da UTI se fechou atrás dela com um clique leve, mas o som pareceu um estilhaço dentro do peito.
Melissa foi atrás, rápida, mas não a tocou. Ela sabia: qualquer toque agora faria Camille desabar.
Camille caminhou alguns passos.
E então precisou parar.
A respiração simplesmente… não vinha.
Como se a fala de Adam ainda estivesse presa na garganta dela, queimando:
"Você não confia em mim pra enfrentar isso juntos?"
A pergunta cortava mais fundo que qualquer acusação.
Melissa se aproximou devagar.
— Camille… chamou, com cuidado, como quem se aproxima de uma ferida aberta.
Camille manteve o olhar fixo no chão. Uma linha branca no piso da UTI. Ela tentava respirar em cima dela como se fosse uma âncora.
— Eu fiz o que precisava fazer. Disse, mas a voz não saía firme. Saía como vidro rachado.
Melissa engoliu seco.
A porta atrás delas se abriu.
Passos firmes, mas não apressados.
Dante.
Ele parou ao lado delas, sem dizer