Camille não sabia quanto tempo tinha passado desde que Nathan apagou a lanterna. Minutos. Horas. Talvez um intervalo irrelevante, porque seu corpo ainda tremia da pancada, da dor, do medo. O escuro parecia mover-se ao redor dela, como se o galpão respirasse junto dela. Ou junto deles porque ela sabia que ele ainda estava ali.
O silêncio foi quebrado pelo som de algo metálico, uma cadeira arrastando. Um assovio baixíssimo, quase relaxado.
Nathan.
A voz dele veio primeiro, como se estivesse sentado a poucos metros dela, completamente confortável naquele ambiente hostil.
— Sabe… disse ele, num tom quase conversado, eu sempre acho fascinante o momento em que a pessoa percebe que perdeu o controle da própria vida.
Camille fechou os olhos, mas era inútil. O escuro já era completo.
— Uns gritam, outros rezam. Alguns tentam negar. Você não fez nada disso… ele comentou, quase admirado. Só ficou respirando.
Ele se levantou.
O eco dos passos parecia maior do que antes.
Camille sentiu a respiraçã