A primeira coisa que Camille sentiu foi o frio.
Um frio úmido, pegajoso, que atravessava a roupa rasgada e grudava na pele como uma segunda camada. Depois veio a dor um latejar profundo nas costelas, uma pontada aguda na cabeça, o sabor metálico de sangue escorrendo até a garganta.
Ela tentou abrir os olhos. A escuridão não cedeu. Só um breu denso, compactado, como se o ar tivesse peso.
Um som distante ecoou. Goteira. Ritmada.
Camille respirou fundo, o corpo inteiro protestando, e só então percebeu que estava sentada no chão… ou quase. Suas mãos estavam presas atrás das costas. Tiras rígidas, plástico apertado, enforca-gato. Os tornozelos também.
Ela tentou se mover.
A dor gritou. Mas ela não fez nenhum som. Porque foi ali, no meio daquele silêncio pesado, que Camille percebeu outra coisa.
Alguém respirava no mesmo ambiente.
Baixo.
Controlado.
Como se estivesse ouvindo cada tentativa dela de se mexer.
O coração dela acelerou.
Camille virou a cabeça devagar, tentando enxergar qualq