Camille desviou o olhar, mas foi tarde demais. Adam tinha visto, o vacilo, a dúvida, o impacto. Aquilo atingiu os dois como um estalo no escuro. Algo mais profundo, mais antigo, mais dolorosamente honesto. Camille respirou fundo, tentando recuperar o controle. Ele deu um passo à frente.
— Você viu o que quis ver naquela noite, o pior jeito possível. E mesmo assim, você sabe que nada naquilo fazia sentido vindo de mim.
— Adam, você não pode jogar isso como se eu tivesse inventado tudo. Eu vi, eu senti…
Ele a cortou, a voz mais baixa e mais dura do que antes.
— Você escolheu entrar no carro do Lucas. E desapareceu da minha vida. Sem uma palavra. Sem uma explicação. Sem nada.
Adam avançou mais um passo. Camille abriu a boca para responder, mas ele não deixou.
— Eu pensei em ir atrás de você. Por dias. Noites.
Ele respirou fundo, dolorosamente fundo.
— Mas eu tive medo, Camille.
Ela congelou.
— Medo do quê? A voz dela saiu quase num sussurro.
Adam sustentou o olhar dela sem desviar.
— Me