Mundo ficciónIniciar sesiónLeonardo
O som da porta se fechando atrás de Isabela foi como o estalo de um chicote no silêncio. Leonardo permaneceu sentado por mais alguns minutos, os olhos fixos na tela do notebook, mas a mente longe — distante o suficiente para estar em outro plano, em outro tempo. Um onde o toque dela ainda não existia, mas a memória do olhar dela já queimava sob sua pele. Ele havia criado regras. Limites. Códigos pessoais tão rígidos quanto o aço. Depois de tudo que viveu, a última coisa que queria era transformar sua vida profissional em palco para confusão emocional. E, até agora, tinha conseguido manter tudo sob controle. As relações que teve foram discretas, calculadas, com mulheres que entendiam o que ele oferecia: prazer sem promessas. Desejo sem profundidade. Mas Isabela não era esse tipo de mulher. Havia nela algo que desmontava suas defesas. Um olhar firme, mas que guardava vulnerabilidade. Uma força que nascia justamente da dor que ela escondia. E isso o atraía de um jeito que odiava admitir. Porque sabia exatamente o que significava se envolver com alguém assim. Sabia o que o controle podia causar. Sabia o que era ultrapassar a linha — e perder-se do outro lado. Se levantou e andou até a parede lateral de sua sala, onde havia uma porta discreta, invisível para qualquer um que não soubesse que ela existia. Atrás daquela porta, havia um espaço particular. Um refúgio. Uma sala que poucos conheciam. Tapetes escuros, paredes acolchoadas, iluminação suave e quase nenhuma mobília, exceto uma poltrona, uma estante de livros e um armário trancado com código. Ali era onde ele ia para se lembrar de quem era de verdade. Não o CEO brilhante que todos viam, mas o homem fragmentado que aprendeu a sufocar o medo com controle. Com ordem. Com domínio. E com prazer. Um prazer que beirava o limite. Um prazer que, para ele, sempre esteve ligado à entrega — não só física, mas emocional. A entrega da confiança. Mas fazia anos que não entrava ali com outra pessoa. Desde o fim com Helena. Desde que viu no olhar de uma mulher o reflexo do seu próprio abismo. Desde que entendeu que podia machucar, mesmo sem querer. E então veio Isabela. Ela era diferente. Não apenas porque mexia com ele de formas primitivas, mas porque havia dignidade na dor que carregava. Era uma mulher que aprendera a sobreviver. E Leonardo sabia que isso exigia mais coragem do que qualquer contrato milionário que ele já assinara. E foi ali, naquela sala silenciosa, que ele se deu conta do perigo real: não era o desejo que o ameaçava. Era o fato de que, com ela, ele não queria apenas dominar. Ele queria mergulhar. Queria descobrir como era beijá-la com os olhos fechados, sem pensar no amanhã. Queria ouvir o som da respiração dela acelerada — não por medo, mas por prazer. Queria vê-la ceder… por vontade própria. Mas essa sala, com seus segredos e ecos antigos, já não parecia o suficiente. A velha versão dele já não servia. Porque, com Isabela, a sala vermelha não existia. O desejo era nu. Cru. Real. E o que o assustava… era que ele queria mais do que controle. Queria ver até onde ela deixaria ser levada. E, talvez, até onde ele mesmo ousaria seguir.






