Leonardo Ele passou a noite em claro. O quarto escuro, silencioso, parecia pequeno demais para conter o turbilhão que o habitava. Tentou dormir, tentou se distrair, até abriu contratos antigos só para ocupar a mente. Mas não funcionava. Porque tudo, absolutamente tudo, o levava de volta a ela. À forma como ela entrou no restaurante, ao olhar que desafiava e seduzia ao mesmo tempo. À resposta afiada — "Ainda não decidi." Ela havia transformado uma simples frase em um jogo psicológico. E o pior: Leonardo gostava disso. Gostava da ousadia, da dúvida, do não saber. Isso o alimentava. Mas ao mesmo tempo… o desequilibrava. Caminhou até a varanda do apartamento no último andar do edifício onde morava. A cidade dormia, mas suas luzes ainda pulsavam. Ele sempre se identificou com São Paulo — intensa, controlada por fora, mas caótica por dentro. E agora, ali de pé, com o vento gelado cortando sua pele, percebeu que não era o único que vivia atrás de fachadas. Havia algo acontecendo.
Leer más