Mundo de ficçãoIniciar sessãoIsabela
O elevador desceu em silêncio, mas sua mente não. A imagem de Leonardo, sentado à frente dela com a manga da camisa dobrada, os olhos escuros fixos nos seus, era como uma tatuagem fresca em sua memória. Era o tipo de homem que parecia pertencer a um universo à parte — um onde a lógica era substituída por instinto, e o desejo caminhava lado a lado com o perigo. Ela tentou se convencer de que aquilo era apenas tensão profissional. Um mal-entendido. Uma impressão causada pelo nervosismo do primeiro dia. Mas, no fundo, sabia que estava mentindo para si mesma. Não era apenas profissional. Não era apenas tensão. Era uma espécie de energia crua, densa, que nascia entre eles sem aviso prévio. E pior: era viciante. De volta à sua sala, Isabela fechou a porta, largou-se na cadeira e apoiou os cotovelos sobre a mesa. Passou as mãos pelos cabelos e soltou um suspiro que parecia preso há horas. Nunca teve problemas com chefes exigentes. Já havia lidado com homens arrogantes, egocêntricos, manipuladores. Mas Leonardo não era arrogante. Ele era... perigoso de uma forma que a excitava e a assustava ao mesmo tempo. Pegou seu celular e abriu a conversa com Laura, sua melhor amiga desde a faculdade. Digitou uma mensagem rápida: "Você não vai acreditar no meu chefe. O homem é um pecado ambulante." Recebeu a resposta quase instantaneamente. "Cuidado. Pecados assim costumam vir com preço alto." Ela riu sozinha. Laura sempre soube das dores que Isabela escondeu durante anos. Sabia do ex, dos traumas, das marcas invisíveis. E era a única que compreendia por que, mesmo depois de tudo, Isabela ainda se sentia vulnerável ao toque certo, ao olhar certo. Porque nem sempre bastava querer se proteger — às vezes o corpo reagia antes da razão. Levantou-se e foi até a janela. A tarde começava a escurecer, tingindo o céu de tons alaranjados. São Paulo tinha um charme melancólico nos fins de tarde. Uma cidade que escondia sua dor em meio à pressa. E, de certo modo, ela se identificava com isso. Era uma mulher em reconstrução, tentando parecer inteira num mundo que não dava tempo para curativos. Enquanto observava os carros lá embaixo, sua mente voltou ao momento em que encarou Leonardo e disse aquelas palavras. "Se essa tensão comprometer meu trabalho, peço que a elimine agora." Não sabia de onde tirou coragem. Mas não se arrependia. Precisava estabelecer limites. Mostrar que não era frágil. Que, apesar das cicatrizes, estava pronta para enfrentar o mundo — mesmo que seus joelhos tremessem por dentro. Só que ele não a afastou. Pelo contrário. Admitiu o que sentia. E isso a desarmou. Ela fechou os olhos por um segundo. Tentou imaginar como seria ceder. Permitir que ele se aproximasse. Que tocasse seu rosto, seu pescoço, suas costas. Imaginou a mão dele puxando o zíper de seu vestido devagar, como quem desembrulha um presente precioso. E o corpo dela respondeu — com um arrepio que percorreu sua espinha e se alojou entre as coxas, quente e pulsante. Voltou à cadeira, sentindo-se tola e excitada ao mesmo tempo. Precisava manter o foco. Ainda era seu primeiro dia. Ainda havia muito o que provar. E, acima de tudo, precisava lembrar: homens como Leonardo podiam dominar salas de reuniões, mas não tinham o direito de dominar sua alma. Mesmo que, no fundo, uma parte dela desejasse ser dominada — só um pouco, só por ele. Ela olhou o relógio. Restavam duas horas de expediente. Duas longas horas. E o fogo dentro dela mal havia começado a arder.






