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Um sorriso que ficou na memória

Capítulo 5 — Um sorriso que ficou na memória

Na manhã seguinte, Kendra acordou antes mesmo do despertador tocar novamente.

Ela ficou deitada por alguns segundos, olhando para o teto do quarto enquanto lembrava da reunião do dia anterior.

A imagem no telão ainda estava viva em sua mente.

Ethan Carter.

Fundador da Biothec. Empresário de sucesso. Um dos nomes mais comentados no setor de tecnologia.

E também… o homem que quase derrubou café nela duas vezes.

Ela soltou uma pequena risada.

— Isso não pode ser sério — murmurou.

Mesmo assim, levantou da cama.

Enquanto se arrumava para sair, sua mente voltava repetidamente para a mesma pergunta.

Ele sabia quem ela era?

Talvez não.

Talvez sim.

Talvez ele simplesmente fosse alguém que preferia conversas normais a apresentações formais.

Quando terminou de se arrumar, percebeu novamente que estava saindo de casa mais cedo do que o habitual.

Ela fingiu não notar.

Minutos depois, caminhava pela mesma rua tranquila de sempre.

A cafeteria da esquina apareceu no final da calçada, com as luzes quentes iluminando o interior.

Kendra respirou fundo antes de entrar.

O pequeno sino da porta tocou.

— Bom dia, Kendra! — disse o barista.

— Bom dia.

Ela olhou discretamente ao redor.

E lá estava ele.

Sentado em uma das mesas próximas à janela, com um notebook aberto à sua frente e uma xícara de café ao lado.

Ethan.

Por um instante, ela pensou em fingir que não o viu.

Mas ele levantou os olhos naquele exato momento.

E sorriu.

— Bom dia, Kendra.

Ela caminhou até o balcão, tentando agir naturalmente.

— Bom dia.

— O de sempre? — perguntou o barista.

— Sim, por favor.

Enquanto aguardava o café, ela sentia o olhar de Ethan ocasionalmente voltar para ela.

Quando o pedido ficou pronto, ela pegou o copo e caminhou até a mesa onde ele estava.

— Então — disse ela, cruzando os braços levemente — hoje ninguém quase derrubou café em ninguém.

Ethan fechou o notebook devagar.

— Ainda é cedo.

Kendra riu e puxou a cadeira à frente dele.

— Posso?

— Claro.

Ela se sentou.

Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.

Mas novamente não era desconfortável.

— Então você trabalha com tecnologia — disse ela finalmente.

Ethan inclinou a cabeça.

— Sim.

— Apenas tecnologia?

Ele observou o rosto dela com curiosidade.

— Você pesquisou meu nome, não foi?

Kendra arregalou os olhos por um instante.

— Foi tão óbvio assim?

— Um pouco.

Ela apoiou o queixo na mão, divertida.

— Então você já sabe que eu sei.

— Sim.

— E mesmo assim não mencionou nada?

Ethan deu de ombros.

— Não achei necessário.

— Você é dono de uma das empresas de tecnologia mais comentadas do momento.

— Ainda assim gosto de café como qualquer outra pessoa.

A resposta simples fez Kendra sorrir.

— Justo.

Ela tomou um gole do café.

— E você? — perguntou Ethan.

— Eu o quê?

— Também não mencionou que é uma designer famosa no meio criativo.

Ela piscou.

— Espera… você sabe quem eu sou?

— Sei.

— Desde quando?

— Desde a primeira conversa.

Kendra encostou nas costas da cadeira, surpresa.

— E você simplesmente… não disse nada?

— Achei mais interessante conhecer você sem rótulos.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

Aquilo era inesperado.

Normalmente, quando alguém descobria quem ela era, a conversa mudava. As pessoas começavam a falar de projetos, carreira, oportunidades.

Mas com Ethan…

A conversa continuava simples.

— Então — disse ela finalmente — nós dois estávamos fingindo ser pessoas completamente comuns.

— Talvez sejamos.

— Eu gosto dessa versão.

Ethan sorriu novamente.

Era um sorriso discreto, mas sincero.

— Eu também.

Do lado de fora, o movimento da cidade começava a aumentar. Pessoas passavam apressadas pelas calçadas enquanto carros cruzavam a rua.

Mas dentro da cafeteria, o tempo parecia correr mais devagar.

— Posso fazer uma pergunta? — disse Ethan.

— Claro.

— Por que você vem aqui todas as manhãs?

Kendra pensou por um momento antes de responder.

— Porque aqui é um dos poucos lugares onde ninguém espera nada de mim.

Ele observou o rosto dela com atenção.

— Eu entendo isso.

— E você?

Ethan olhou pela janela por um instante.

— Eu venho porque às vezes é bom lembrar como a vida é fora das reuniões, dos negócios e das decisões importantes.

Kendra inclinou a cabeça.

— Então essa cafeteria é sua pausa da realidade?

— Exatamente.

Ela levantou o copo de café como se fosse um brinde.

— À pausa da realidade.

Ethan levantou a xícara também.

— À pausa.

Os copos se tocaram levemente.

E naquele pequeno gesto simples, algo mudou.

Não era mais apenas uma conversa entre dois desconhecidos.

Era o começo de uma conexão.

Algo silencioso.

Mas forte o suficiente para que nenhum dos dois quisesse ir embora tão cedo.

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