O quarto 1204 do hospital particular parecia menor a cada hora que passava. A luz fria das lâmpadas embutidas no teto refletia nas paredes brancas, no chão de vinil brilhante, no equipamento médico que bipava ritmicamente como um coração mecânico. Dante dormia sob sedação leve, o rosto ainda inchado e marcado por hematomas roxos e amarelos, a mão esquerda enfaixada em camadas grossas de gaze, o soro intravenoso pingando devagar no braço direito. A respiração dele era constante, mas superficial