Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 2
Emily demorou alguns segundos para conseguir respirar normalmente depois que Jace desejou feliz aniversário. A presença dele era intensa demais para uma noite que deveria ser leve. — Achei que você não viria — ela disse, apoiando as mãos no corrimão da varanda, tentando parecer indiferente. — Também achei — respondeu Jace, ficando ao lado dela. — Mas algumas coisas… mudam no último minuto. O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi perigoso. Emily sentiu o olhar dele sobre si, atento demais, como se estivesse tentando decifrar algo que nem ela mesma entendia. — A festa está bonita — comentou ele, por fim. — É — ela respondeu. — Não combina muito comigo. — Combina mais do que você imagina. Ela virou o rosto na direção dele, surpresa. Jace a encarava de um jeito diferente. Menos irmão protetor. Mais homem. — Você devia estar lá dentro — ele completou, desviando o olhar. — Todo mundo está esperando pela aniversariante. — Inclusive você — provocou Emily, cruzando os braços. — Sumiu e apareceu quando bem quis. Jace franziu levemente a testa, o maxilar tenso. — Não seja injusta, Parker. — Eu sou injusta? — ela riu, sem humor. — Você vive fugindo. Jace respirou fundo, como se estivesse se segurando. — Talvez seja melhor assim. Antes que Emily pudesse responder, a porta da varanda se abriu com força. — Sabia que encontraria vocês dois aqui — a voz animada de Adrian cortou o ar. Ele se aproximou sorrindo, como se não houvesse tensão nenhuma ali. — A festa tá morrendo lá dentro sem vocês — disse, puxando Emily pela mão. — Vem dançar comigo, aniversariante. Emily hesitou por um segundo. Olhou para Jace. Ele assentiu de leve. — Vai — disse. — Aproveita. Algo na forma como ele falou fez o peito dela apertar. — Depois a gente conversa — murmurou Emily, mais para si mesma do que para Jace. Adrian a puxou para a pista antes que ela mudasse de ideia. A música estava alta. As luzes giravam. O clima era completamente diferente da varanda. Adrian dançava com facilidade, rindo, girando-a, fazendo-a esquecer por alguns minutos do nó em seu estômago. — Você estava pensando nele, né? — perguntou de repente, aproximando-se mais do que o necessário. — Em quem? — fingiu Emily. — No Jace — respondeu Adrian, direto. — Dá pra ver de longe. — Você está exagerando, respondeu ela. — Talvez — ele sorriu de canto. — Mas você também estava procurando por ele enquanto dançava comigo. Emily engoliu em seco. — Você sabe que isso é errado — disse ela, baixinho. — O quê? — Adrian inclinou-se, falando em seu ouvido. — Pensar no irmão errado? O arrepio foi imediato. Emily se afastou um pouco, tentando recuperar o controle. — Para com isso. — Relaxa, Emy — ele respondeu, segurando-a pela cintura quando a música ficou mais lenta. — É só uma dança. Ela tentou se convencer disso. Mas não conseguiu evitar olhar por cima do ombro. Jace estava encostado perto do bar, observando. O olhar dele encontrou o dela. E não havia nada de indiferente ali. Havia algo escuro. Tenso. Contido. Emily sentiu coração acelerar. Porque, naquele instante, percebeu que não estava brincando com sentimentos. Estava brincando com limites. E nenhum dos três sairia ileso daquela noite.






