Ethan soltou minha mão devagar, como se cada centímetro de distância precisasse ser autorizado pelo coração antes do corpo. O olhar dele deslizou do meu rosto para o avental, demorou ali, depois seguiu até a panela no fogão. Foi como se tivesse encontrado um terreno conhecido. Um refúgio.
ETHAN: Então… é essa a torta.
Ele não precisou completar. A memória fez isso por nós.
PAOLO: A famosa torta que ele nunca parou de elogiar.
disse, cruzando os braços com um sorriso divertido.
PAOLO: Se eu tivesse cobrado ingresso por cada vez que o Ethan falou dela, já estaria aposentado.
Senti o rosto esquentar imediatamente.
“Não é nada demais”, respondi rápido demais. “É só uma torta de chocolate.”
ETHAN: Não é “só” uma torta.
A forma como ele disse aquilo fez o ar da cozinha mudar.
Giulietta ergueu os olhos do caderno, observando com mais atenção.
GIULIETTA: Ah, então existe uma história?
Ethan deu um passo à frente, apoiando-se na bancada, perigosamente perto. O perfume dele me envo