Arthur passou o dia inteiro com a sensação de que algo dentro dele estava fora do lugar. Não era exatamente dor, tampouco ansiedade — era um incômodo constante, como uma roupa que parecia servir perfeitamente por fora, mas arranhava a pele por dentro.
Tentou ignorar.
Tentou se concentrar no trabalho, nos números, nas reuniões que se sucediam com a mesma previsibilidade de sempre. Respondeu e-mails, assinou contratos, resolveu pendências. Tudo funcionava. Tudo estava sob controle.
Como sempre.