Conflito Silencioso
Chego no trabalho com o coração ainda meio acelerado, como se trouxesse comigo um segredo quente demais para ficar guardado. Mas o impacto real vem quando encontro Leandro. Ele está parado no corredor, braços cruzados, mandíbula travada… e aquele olhar.
Aquele olhar que pesa.
Ele me observa como se estivesse tentando me desmontar peça por peça, procurando nas minhas expressões a confirmação de tudo o que ele já suspeita. Tem desconfiança ali. Mágoa também. Um machucado que ele tenta esconder, mas que se derrama nos olhos dele como um corte mal fechado.
Eu não digo nada.
Ele também não.
Mas o silêncio dele… ah, esse fala alto demais. É como se ele estivesse perguntando por quê? O que tenho com Dante? Por que me importo tanto? Por que deixei que isso mexesse comigo? Como se cada passo meu fosse uma traição pessoal, um golpe direto em algo que ele não consegue soltar.
Sinto um nó se formar no meu peito, quente, apertado, incômodo. Mas não é hora de confronto. Não hoje