A LENDA DA FRONTEIRA
María Júlia cruzou a fronteira quando a madrugada ainda se desfazia em luz.
O céu, ainda indeciso entre a noite e o dia, tingia-se de tons azulados e cinzentos, como se a própria natureza hesitasse em permitir que aquela história continuasse. O frio chegara antes do tempo, antecipando o inverno como um presságio. O vento soprava impiedoso, açoitando-lhe o rosto, atravessando-lhe as roupas, infiltrando-se nos ossos, fazendo o cavalo relutar a cada passo. Ainda assim, ela