DEIXANDO MINHA VIDA PARA TRÁS
Entrei no carro em silêncio. Meus olhos ainda ardiam de tanto chorar, e a sensação de peso dentro de mim parecia insuportável. Abracei a mochila com força, como se fosse a única coisa que realmente me pertencesse naquele instante. O motorista fechou a porta com cuidado e acionou o motor. Nos primeiros minutos, o único som que ouvi foi o ronco suave do carro. Foi então que ele quebrou o silêncio:
— Senhorita… se quiser algo, há um frigobar atrás do banco. Sinta-se à vontade.
Demorei alguns segundos para formular uma resposta.
— Posso tomar uma água?
— Claro, senhorita — ele respondeu. — A senhorita não é uma prisioneira. É uma convidada.
Soltei um riso fraco, sem humor, enquanto enxugava uma lágrima com as costas da mão.
— Não foi isso que entendi do seu patrão.
O motorista hesitou um momento antes de responder.
— O patrão… — ele pigarreou. — Ele não é muito hábil em saber agir com suavidade. Mas… em breve, a senhorita perceberá que ele é