Depois do banho, Mateo ficou parado diante do espelho por mais tempo do que costumava admitir. A água ainda escorria pelos cabelos escuros, mas o que pesava não era o corpo — era a decisão.
Ele tinha passado a vida inteira sendo o que precisava ser. Traficante, estrategista, provedor, pai quando ninguém mais podia ser. Prometeu à esposa, no leito frio da despedida, que não tomaria o trono. Que não deixaria o poder consumir os filhos que ela tanto amava.
Mas o mundo não respeita promessas feitas ao amor.
Vestiu-se em silêncio, como se cada botão fechado fosse um acordo consigo mesmo. Se fosse voltar a ser quem sempre foi… faria do jeito certo.
O corredor estava quieto demais quando ele chegou ao quarto de Lia. Abriu a porta devagar — e o ar lhe faltou.
Lia e Ayla dormiam juntas, exaustas. Os rostos ainda marcados pelo choro recente. Não era um sono tranquilo; era aquele que vem depois da dor, quando o corpo simplesmente desiste de lutar.
Algo se apertou no peito de Mateo.
Ele se aproxi