O galpão parecia abandonado há décadas, mas eu sabia reconhecer quando um lugar estava vivo demais para estar vazio.
O silêncio não era natural. Era calculado.
O vento frio atravessava as frestas das paredes de metal enferrujado, fazendo o telhado ranger como se reclamasse da nossa presença. Cada passo ecoava alto demais, denunciando que ali dentro qualquer erro custaria caro.
Segurei a arma com firmeza, mantendo o rosto impassível. Ser o Alex não demonstrava medo. Mas a Ayla gritava por dentro.
Nesse quase um ano, agradeço ao Mateo por me treinar uma vez por semana. Principalmente nos tiro ao alvo.
Yuri caminhava alguns passos à frente, atento, com os ombros tensos. O sorriso provocador tinha sumido. Agora ele parecia… cauteloso. Isso me deixou ainda mais alerta.
— Não gosto disso — ele murmurou, baixo. — Está fácil demais.
— Nada aqui é fácil — respondi, mantendo a voz grave. — Fica atento à esquerda.
Ele me olhou rápido, surpreso por eu estar dando ordens. Porém não questionou.
Ava