Capítulo 2

Amanda

Eu não estava enfurecida com Derek.

Entretanto, eu não conseguia arranjar alento o suficiente para encará-lo nos olhos. Talvez por não ter as palavras apropriadas para lhe expressar.

Ou, um pouco mais que isso: eu não tinha fibra para olhar em seus olhos, uma vez que eu simplesmente não admitia que minha mente idealizasse mais abstrações enlouquecedoras. Especialmente porque, no fundo, bem no fundo, meu subconsciente insistia em me fazer crer na idéia de Derek ter ficado levemente balançado com o retorno daquela mulher.

E não era para menos, afinal de contas, estamos falando da mulher que ele tanto amou na vida.

Pensar que ela poderia afanar o amor de Derek, novamente, causava sensações desconhecidas em mim. Era como se meu coração estremecesse dentro do peito.

— Posso entrar?

Rolei os olhos em direção à porta e vislumbrei a imagem de Sabrina, parada, os olhos presos em mim.

— Sim, claro.

Ela, cautelosamente, fechou a porta atrás de si e forçou um sorriso quando aproximou-se de mim.

Sabrina lançou-me um olhar sereno, cheio de compadecimento.

— Precisa de ajuda para tirar esse vestido?

Franzi a testa e, só então, dei-me conta de que ainda estava trajada naquele estonteante vestido.

Ainda estava enroupada para o dia que deveria ter sido o mais importante de minha vida.

Suspirei profundamente, não conseguindo esconder a frustração e tristeza que me consumiam.

— Damen e Meg se encarregaram de inventar alguma desculpa para os convidados. — Sabrina disse, austera. — Quanto as coisas da festa... eu vou tentar dar um jeito.

Olhei-a de lado e suspirei, mais uma vez, esforçando-me para não cair em um choro alto. Senti as mãos de Sabrina encobrir-me num abraço cheio de alívio.

Funguei baixinho.

— Sei o que deve estar se passando pela sua cabeça, mas a resposta é não. Ele te ama, Amanda, a Monnie estando viva ou não, o coração do Derek pertence à você agora.

— Eu sei, é só que...

— Você está com medo, eu sei. É completamente compreensível, mas não precisa. Acredite.

Assenti, balançando a cabeça um tanto quanto incerta.

— Não sei a decisão que Derek vai tomar, mas tenho certeza que ele vai tirar a Monnie daqui o quanto antes. Não se preocupe, tudo vai voltar a ser como antes.

— Será? É tudo que eu quero, Sabrina...

— Agora, venha, vou te ajudar a tirar esse vestido pesado. Depois, você tenta descansar e dormir um pouco, tudo bem?

Assenti e sorri de lado.

— Tudo vai se resolver. — ela sorriu cheia de esperança.

Tudo vai se resolver, certo?

Tudo vai se resolver.

Encorajei-me incessantemente antes de cair num sono profundo e inquieto.

Logo, avistei Derek parado na beirada da cama.

Ele estava de costas para mim. Respirei profundamente e, só então, adotei coragem o suficiente para me aproximar dele.

Passei a mão pelas suas costas quentes e super definidas. Ele permaneceu estático, sem dizer uma só palavra.

— Hey, eu quero que me perdoe... eu não...

Fiz uma careta e me aninhei atrás de Derek. Estava levemente constrangida e chateada por ele não ter retribuído minha tentativa de reaproximação.

— Você sabe que eu te amo, não é? Mas eu não podia levar o casamento adiante com tudo isso...

Ele continuou calado.

— Derek, você não vai falar comigo?

Derek virou-se para mim súbitamente. Seus olhos azuis pareciam frios e distantes.

De maneira tenebrosa, ele segurou firme em meus braços, depois compeliu-me com força até o topo da cama.

— Derek, você está me machucando, me solte! Derek!

Rudemente, Derek ficou em cima de mim, segurando firme meus pulsos, me incapacitando de se defender de sua brutalidade.

Eu estava completamente assustada.

Este não era o meu Derek.

— Derek! Por favor, está me machucando! O que há com você? Eu te amo! Por favor, me solte!

Ele apertou ainda mais forte o meu pulso e seu sorriso no rosto mostrava sua diversão em me ver daquela forma. Por um mísero segundo, lembrei-me de Stevan. E, de todas as coisas que eu hava aturado em suas mãos.

Eu não apenas queria chorar, eu precisava.

— Derek, por favor... eu te amo, lembra? Você também me ama, por favor, me solte!

E, numa fração de segundos, Derek largou-me e sorriu de maneira aterradoramente fria.

— Eu não amo você.

Franzi a testa.

— Você sabe quem eu amo. É ela, Amanda. Sempre foi ela. Sempre vai ser ela.

— O que está dizendo, Derek? Você... Não! Não é verdade! Não!

Estava pronta para estapeá-lo de tanta raiva, quando, para minha sorte - ou azar - saltei da cama num pulo e dei-me conta de que estava sonhando.

Não, não. Aquilo estava mais para pesadelo.

Minha respiração ofegou.

Olhei para o lado direito da cama, o lado de Derek e, para meu tremendo alívio, ele estava dormindo tranquilamente. Como se nada estivesse, de fato, fora do lugar.

Suspirei aliviada, minha respiração voltando a se normalizar.

Passei as mãos pelos cabelos e, quando já estava pronta para intentar dormir novamente, escutei o choro alto de Lexie.

Sem pensar duas vezes, levantei-me da cama ainda atordoada.

O berço de Lexie ficava atrás da divisória, no outro lado do quarto.

Ainda estava exasperads, e isto intensificou-se quando coloquei os olhos no berço de Lexie e ele estava vázio. Meu coração acelerou e, por um simples segundo, esqueci-me como respirar.

Com as pernas trêmulas, cambaleei para trás, tentando encontrar algo que me mantesse de pé. Quando virei meu corpo, não consegui conter um grito fino e alto.

Monnie estava parada, feito uma assombração, segurando Lexie em seus braços como se aquilo fosse relativamente normal.

— Vo...você! O que você está fazendo aqui?! — desesperei-me.

Ela rolou os olhos para mim, na medida em que balança suavemente Lexie de um lado para o outro.

— Ela estava chorando, então resolvi tentar acalmá-la...

— Você... você entrou no quarto... e...

De repente, Derek surgiu tão desorientado quanto eu. Seus cabelos estavam desgrenhados e ele só vestia seu calção de dormir. Monnie o encarou sem nenhum pudor.

Derek olhou para mim e parecia tão confuso quanto eu.

— O que houve?

— Ela estava chorando, eu só queria acalmá-la, Derek. — Monnie se apressou en dizer.

— Dê-me ela aqui.

Fuzilei Monnie com os olhos. E, com cuidado, tomei Lexie de seus braços.

— Ela é minha filha. — disse em alto e bom som. — Minha!

— Amanda, tudo bem. — Derek disse baixinho. — Está tudo bem, a Monnie só estava tentando ajudar.

— Não, não está tudo bem.

— Me desculpe, eu não queria assustar... É que eu gosto de crianças. Não é, Derek? Fale para ela! — Monnie sorriu abertamente, o que me irritou ainda mais.

— Monnie, está bem. Venha, vou levá-la até seu quarto. Venha, vamos.

— Fique longe da minha filha! — berrei, trincando os dentes.

E do meu marido também, pensei.

Derek me olhou aparentemente desaprovando minha atitude. Mas eu simplesmente o ignorei.

A mulher me olhou pelo rabo dos olhos e, sem respeito algum à minha pessoa, envolveu seus braços em Derek.

Senti um ódio instantâneo me invadir.

Ele me olhou de lado, como se quisesse se justificar.

Revirei os olhos, impaciente. Depois, tentei me concentrar apenas em Lexie.

Mas não tinha como. Não sabendo que a ex-mulher do meu marido estava ali, literalmente abraçada à ele.

Não sabendo que perdê-lo podia ser a minha mais nova realidade.

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