Stella Blake
Eu ainda não acreditava no que tinha acontecido.
Quem pede alguém em casamento sem nem conhecer a pessoa? Quem faz isso? Andei de um lado para o outro do meu pequeno apartamento tantas vezes que perdi a conta.
— E o que você respondeu? — Meg perguntou, os olhos arregalados como se eu tivesse acabado de contar que vi a Rihanna no centro comercial.
— Nada. Eu não sabia o que responder. Ele me deu um cartão e disse para ligar quando decidisse.
A cara que ela fez foi impagável. Como se eu tivesse dito a maior loucura do mundo.
— Stella, me fala que você está brincando. — Ela jogou o corpo para trás no sofá, as mãos no rosto. — Dominic Scott, o homem mais gostoso e dono da maior empresa de tecnologia do país, acabou de te pedir em casamento e você não sabe o que responder?
— Eu nem conheço ele direito! Só vejo na revista ou na TV. E se ele for um psicopata?
— Conhecer? — Meg soltou uma risada irônica, sentando-se de novo. — Ele é a porra do DOMINIC SCOTT. Eu pagaria pra foder com ele. Literalmente.
Eu ri, mesmo sem querer. E não duvidava. Meg tinha uma lista de famosos que ela dizia que "comeria sem pensar duas vezes", e Dominic Scott estava no topo dela desde o lançamento da primeira revista com ele na capa.
Ela se inclinou para frente, o dedo apontado na minha direção.
— Você tem noção do que isso significa? Apartamento, dinheiro, estabilidade... você ia poder ajudar sua mãe, Stella.
O sorriso sumiu do meu rosto.
Ajudar minha mãe. Era isso que me fez vir para essa cidade. Era isso que me fazia passar por seis entrevistas de emprego em duas semanas. Era isso que me fazia contar moedas no supermercado.
Meg percebeu que tocou num nervo e recuou, a voz mais suave.
— Só estou dizendo que... talvez valha a pena pensar. Não é todo dia que aparece uma oportunidade dessas.
— Com tantas mulheres lindas e gostosas que ele conhece, porque eu? Isso não faz sentido.
Eu sou magra de pele e osso, não tenho bundão como as mulheres da empresa dele ou as que ele costuma pegar.
— Eu já te disse várias vezes amiga, você é uma das mulheres mais lindas que já conheci e eu conheço muitas.
Sorri.
Depois que Meg foi embora, fiquei sozinha com meus pensamentos. O apartamento estava silencioso demais.
Comecei a limpar para ocupar a mente. Esfreguei a pia da cozinha até brilhar. Arrumei os armários. Varri a sala duas vezes.
As contas estavam todas ali, enfileiradas em cima da mesa de centro. Boleto do aluguel. Luz. Água. Internet. Uma pilha de papéis que parecia crescer sozinha. O dinheiro que trouxe da minha cidade estava acabando — restava o suficiente para mais um mês, talvez dois se eu comesse só arroz e feijão.
Depois disso, seria rua.
O celular vibrou na mesa, me fazendo pular. Atendi sem olhar direito, o coração ainda acelerado.