Diana
O cheiro do café fresco enchia meu apartamento, misturado ao aroma discreto do perfume de Ethan, que parecia ter se impregnado em todos os cantos desde que ele voltou a aparecer na minha vida. A cozinha era pequena, nada comparado àquela cobertura luxuosa que ele chamava de lar, mas havia algo reconfortante em tê-lo sentado ali, na minha mesa de dois lugares, parecendo fora de lugar e, ao mesmo tempo, perfeitamente certo.
Eu estava de moletom e cabelo preso de qualquer jeito, e mesmo assim os olhos dele me seguiam como se eu fosse a visão mais importante do mundo. Isso ainda me desconcertava. Depois de tudo o que vivemos — a gravidez, a demissão, a humilhação, o atropelamento, o coma, a perda, a distância e, claro, o inferno chamado Meredite —, eu ainda não sabia como lidar com o peso daquele olhar.
— Você coloca muito açúcar — ele comentou, observando enquanto eu despejava duas colheres na minha xícara.
Revirei os olhos.
— Você toma café amargo como se fosse castigo divino.
Ele