Maya Nogueira
A casa estava mergulhado em uma penumbra densa, o ar carregado com o cheiro residual de chá, remédios e um silêncio que parecia ter dentes. Eu estava sentada no chão, encostada na base da poltrona, com os olhos fixos em um ponto qualquer da parede onde a luz da rua, filtrada pela cortina semiaberta, desenhava sombras inquietas. Três dias. Desde aquela ligação gélida, o mundo tinha parado, mas o tempo insistia em passar com uma lentidão torturante.
A porta se abriu com uma chave q