Arthur Strauss
O silêncio do loft era denso, pontuado apenas pelo som abafado da televisão ligada na cozinha onde Dona Nogueira terminava de organizar as coisas e pelo movimento leve de Maya por perto. Eu ainda estava me acostumando com a nova dinâmica da casa, com a ausência dos bipes hospitalares e com a sensação estranha de habitar meu próprio espaço como um convalescente. Mas a trégua durou exatamente até a campainha tocar.
Não foi um toque comum. Era insistente, pesado, uma batida ritmada