Maya Nogueira O dia começou com uma luz fria se filtrando pela janela do meu quarto, o tipo de luz que parece denunciar cada preocupação que você tenta esconder. Eu me olhei no espelho por tempo demais, alisando a saia preta que, embora bem cortada, parecia uma armadura que eu ainda não sabia se conseguiria sustentar. O cargo de secretária da diretoria era uma tábua de salvação, uma dessas raras chances que aparecem quando a vida parece estar prestes a se desintegrar. Minha mãe, apesar da fraqueza que a doença lhe impunha, sorrira quando contei. "Vai ser bom, Maya. Você precisa de algo sólido", ela disse, com aquele brilho esperançoso nos olhos que era a única coisa que me mantinha acordada à noite. Eu não sabia quem era o diretor. Durante a entrevista, mencionaram apenas um "um homem ocupado, alguém que raramente aparecia na sede. "Ele é um fantasma", disseram-me no RH, com um riso nervoso. "Você terá autonomia total porque, na verdade, ele nunca está aqui." Aquilo foi um alívio
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