Maya Nogueira
O trajeto de táxi até em casa foi feito em um torpor quase alucinógeno. As ruas de São Paulo passavam pela janela do carro como borrões cinzentos sob o céu nublado da tarde. Eu estava mecanizada. Minha mente, no entanto, continuava inteira naquele quarto de hospital, orbitando em torno daquele homem orgulhoso e quebrado.
Quando destranquei a porta de casa, fui recebida por um silêncio aconchegante que, ironicamente, me pareceu estranho. O cheiro de café fresco e o aroma suave de