Mundo de ficçãoIniciar sessãoPrólogo: O Sangue e a Promessa Existem amores que nascem na calmaria e outros que são forjados no centro de uma tempestade. A história de Victoria e Killian nunca conheceu o meio-termo. De um lado, o calor vibrante do Brasil, onde o destino os uniu sob o disfarce de uma vida comum; do outro, as sombras ancestrais da Irlanda, onde sobrenomes valem mais que ouro e o sangue derramado escreve as leis. Victoria sempre soube que carregava uma luz que incomodava a escuridão, mas não imaginava que essa mesma luz era a herança de um império. Como a única herdeira do clã Kavanaugh, ela era a peça final de um tabuleiro de xadrez jogado há séculos. Ao seu lado, Killian — um homem cujas mãos conheciam a textura das armas antes mesmo de descobrirem a suavidade de um toque — tornou-se seu escudo, seu mestre e seu porto seguro. Mas a paz é um luxo raro para quem nasceu para reinar. Entre o brilho de um anel de noivado em uma praia da Bahia e o fio afiado de uma lâmina oculta em uma bengala de carvalho, eles precisam decidir: serão as vítimas de suas linhagens ou os arquitetos de uma nova era? Com a lealdade inabalável de Fred e Julia, e um exército de sombras protegendo seus passos, a viagem de volta ao lar não é apenas um retorno. É uma retomada. Porque, nas terras frias de Kavanaugh, o inverno está chegando, e ele traz consigo a Rainha que todos acreditavam ter perdido.
Ler maisCapítulo 1
POV: Victoria Kavanaugh. Victoria Kavanaugh Meu nome é Victoria Kavanaugh. Tenho 20 anos e sou uma garota criada na Zona Norte do Rio de Janeiro. Minha mãe morreu quando eu ainda era um bebê, e meu pai se recusa a falar dela. Tudo o que sei é que ela foi sua amante enquanto ele ainda era casado com a mãe do meu meio-irmão, João. Quando ela engravidou, cuidou de mim sozinha nos primeiros meses, mas acabou falecendo em um atropelamento. Meu pai, por uma mistura de culpa e pena, acolheu-me em sua casa. A primeira esposa dele não aceitou nada bem; embora tivesse perdoado a traição, agora teria que suportar a presença da "bastarda" sob o próprio teto. Ela acabou pagando-o com a mesma moeda: traiu-o com seu sócio e melhor amigo. Após desviarem uma fortuna da empresa, os dois fugiram, deixando meu pai sozinho com João e comigo. Arrasado, ele mergulhou na depressão e no vício. O prestígio e o dinheiro que lhe restavam escorriam pelo ralo junto com o que sobrou da fortuna. Em um ato de desespero, ele retomou contato com a máfia americana — o clã Callahan. Por intervenção deles, conheceu sua atual esposa, Maísa, uma mulher mais jovem e proprietária de um grande armazém na Zona Norte. Eu sei que aquele lugar não se limita a compras e vendas convencionais, mas nunca quis me meter. Com ela — essa maldita —, os abusos e os maus-tratos se tornaram minha rotina. Da minha mãe, guardo apenas duas fotos: uma 3x4, onde ela aparece com olhos fundos e tristes, e outra dela grávida de mim. Nesta ela está radiante, com olhos grandes de um azul profundo e um sorriso que ilumina o rosto; parecia ser uma mulher incrível. Sempre que me olho no espelho, vejo o reflexo dela em mim. Herdei sua estatura, com 1,70m de altura, e seus cabelos longos, que hoje descem quase até a minha cintura em um tom de loiro cobre que brilha mesmo sob a luz fraca do armazém. Sempre que imploro ao meu pai para me contar sobre ela, ele explode em raiva e manda eu “procurar o que fazer”. Meu meio-irmão já está quase nos 30 anos e é o orgulho da casa. Ele sempre me tratou como “abastarda”. Como a mãe dele foi casada oficialmente, João carrega o sobrenome italiano da família: Volpe. Como fui fruto de uma “mãe solteira”, herdei apenas o dela: Kavanaugh. Meu pai, Roberto Volpe, vem de uma linhagem tradicional que enriqueceu na construção civil e naval, mas todo esse império foi corroído pelas excentricidades dele e da ex-esposa. Hoje, não resta quase nada. O dinheiro que ele ganha é gasto em poucos dias em clubes e casas de apostas clandestinas. Evito chegar perto quando ele está bêbado, pois ele sempre me culpa por estarmos à beira da falência. Quando me olha, ele enxerga o fantasma da minha mãe através dos meus olhos azuis. — Aquela bruxa… ela acabou comigo — ele costuma rosnar. Eu odiava ouvir aquilo. Minha vontade era gritar, fugir daquele inferno. Minha revolta silenciosa rendia piadinhas das amigas da minha madrasta, que diziam que eu terminaria como minha mãe: uma "bruxa favelada" de cabelos de fogo. Todas riam; hienas nojentas. Maísa sempre dava um jeito de deixar seus capangas de olho em mim; onde quer que eu vá, o clima é sufocante. Em casa, vivo num quarto minúsculo perto da garagem, com uma cama velha de solteiro, um pequeno armário de ferro e uma cômoda de recuperação — um extremo exato em comparação ao resto da casa. A mãe do meu irmão vive no exterior com outro homem e, há anos, liga para ele apenas em datas comemorativas. Como João sempre teve tudo de mão beijada, hoje ocupa um cargo federal e mora na capital. Ainda bem que eu não o vejo mais; ele adora se gabar de ter conquistado tudo com “esforço e trabalho duro”. Que trabalho? Ele nunca precisou se preocupar com o pão de cada dia. Ele nunca gostou de mim, mas, sinceramente, ele também nunca teve lugar no meu coração. Para mim, a “bastarda”, nem o mínimo era oferecido. Na hora das refeições, eu era obrigada a esperar que todos se servissem para ficar apenas com as sobras. Com meu salário no armazém — se é que posso chamar assim —, consigo comprar o mínimo para minha higiene pessoal. Sou uma cliente assídua nos sebos da cidade; é lá que encontro, a preços razoáveis, meus tão preciosos livros. Sou uma leitora voraz, sempre com um livro “colado no nariz”, como diz meu pai com desdém. Minha madrasta vive zombando da minha bolha; diz que, se eu continuar assim, jamais vencerei na vida, pois quem vive no "País das Maravilhas" ignora a realidade. Mal sabia ela que era o oposto: eu buscava a fantasia justamente porque ali as pessoas se amavam de verdade. Era minha única fuga. Trabalho no armazém dela desde pequena. Maísa fazia questão de enfatizar que eu não fazia mais do que a obrigação. Eu pegava no pesado, de segunda a segunda, carregando caixas e limpando o chão. Durante a adolescência, estudava de manhã e trabalhava até o fechamento. Hoje, formada, trabalho em tempo integral. Tive uma excelente nota no Enem, mas, ao contrário do meu irmão, fui proibida de ingressar na faculdade. Nunca tive um namorado. Minha madrasta afugentava todos, inventando que eu era doente ou "estranha". Espalhou no bairro que o meu visual — com o cabelo acobreado e os olhos intensos — era fruto de uma doença hereditária contraída da minha mãe e que eu ficaria deformada antes da vida adulta. Com isso, os rapazes mantinham distância, sendo gentis de longe, mas jamais se aproximando nem mesmo para uma amizade. Um dia, no limite da paciência, tomei coragem e anunciei que buscaria um emprego fora, no Centro do Rio. Minha madrasta ficou furiosa, e meu pai fez o que faz de melhor: bebeu e se omitiu. Não dei atenção. Maísa dobrou a vigilância com sua equipe de “segurança”; nunca entendi esse paradoxo. Ela não faz isso porque gosta de mim, é claro, mas por quê? Minha única sorte é Julia, minha melhor amiga e a irmã que a vida me deu. Ela tem 21 anos e seus pais transbordam orgulho por sua aprovação na universidade federal. Ela se mudará em algumas semanas para uma quitinete em Botafogo, para ficar perto do campus. A notícia me entristeceu, pois ela é a única que me entende. Julia me ajudou a montar um currículo e me incentivou: se eu conseguisse um emprego, poderíamos dividir o aluguel. Isso acendeu uma chama de esperança. Como sou autodidata em computadores e programação, ela garantiu que eu teria chances. Eu não tinha cursos formais nem dinheiro, mas, aos 20 anos, estava desesperada para mudar o meu destino. E a mudança estava mais próxima do que eu imaginava... E a mudança estava mais próxima do que eu imaginava.A sala de jantar, impregnada com o aroma de café e madeira secular, tornou-se o palco de uma revelação que mudava permanentemente o equilíbrio de poder naquela mesa. Julia e Fred entraram não apenas como soldados retornando de uma escaramuça, mas como os arquitetos de uma nova forma de domínio. Fred, cuja face era geralmente um mapa de vigilância e severidade, emanava um orgulho denso, quase palpável. Sua mão na cintura de Julia não era apenas um gesto de posse; era um tributo silencioso à força da mulher que ele, o gigante de gelo, agora adorava abertamente. A Sinfonia do Caos em Marselha Julia não esperou o protocolo. Seus olhos brilhavam com a euforia de quem acabara de travar uma guerra invisível e vencido. Com uma precisão que beirava o poético, ela detalhou a ofensiva que garantiu a Viktor o caminho livre no Mediterrâneo: O Apagão Seletivo: > "No momento em que o Viktor tocou o concreto do cais, eu me tornei o sistema operacional de Marselha. Eu não derrubei a rede — isso é p
A quietude que se seguiu à partida de Fred, Julia e Marek não era de paz, mas de uma prontidão absoluta. O ar na Fortaleza Black parecia vibrar em uma frequência diferente, uma ressonância entre a proteção mística das sombras e a frieza cirúrgica da tecnologia que Julia agora operava. Victoria observou o corredor por onde seus amigos haviam desaparecido, o rastro de adrenalina ainda pairando no ar. Ela conhecia aquele ritmo; era o pulsar de uma colmeia que se preparava para o ataque, onde cada membro sabia exatamente qual engrenagem mover para esmagar o inimigo.Killian, percebendo a tensão nos ombros de sua rainha, a puxou para mais perto. O calor de seu corpo agia como um escudo sólido contra a frieza secular do mármore que os cercava. Ele a envolveu com uma possessividade que não era sufocante, mas sim um porto seguro, uma promessa de que nada no mundo seria capaz de transpor as muralhas que ele erguera ao redor dela.— O que Viktor vai enfrentar lá, Killian? — Victoria perguntou,
((Mais um capítulo emocionante para vocês)) A atmosfera no grande hall da Fortaleza Black mudou no instante em que os pesados batentes de carvalho se fecharam atrás deles. O júbilo vibrante que trouxeram da clínica da Dra. Erin, onde o som dos corações dos gémeos ainda ecoava como uma promessa de futuro, colidiu frontalmente com a solenidade estática do presente. No centro do hall, sobre um pedestal de mármore que parecia esperar por ela há séculos, repousava a urna de prata. Victoria parou abruptamente. O contraste era quase insuportável: dentro de si, a vida pulsava em dose dupla; diante de si, as cinzas da mulher que lhe dera tudo, reduzidas a um objeto frio e silencioso. O ar gélido da Irlanda pareceu penetrar os seus ossos, e ela sentiu o peso de séculos de linhagem e perdas sobre os seus ombros ainda jovens. — Sra. Walsh... — começou Victoria, a voz soando como um fio de seda que se recusava a partir. Ela não olhou para Killian, nem para Julia ou Fred, que permaneciam em resp
((Confesso que me emocionei escrevendo este capítulo)) Após encerrarem os preparativos com Viktor, Killian encontrou Victoria na suíte, onde ela se preparava para o fim da tarde. O silêncio do quarto era um contraste absoluto com o caos tático que ele acabara de deixar no escritório. Ele se aproximou, envolvendo-a por trás e pousando as mãos sobre as dela, que repousavam no ventre. — Resolvi o problema de Marselha, mó éanín — sussurrou ele contra o seu pescoço. Victoria virou-se nos braços dele, buscando a verdade em seus olhos verdes. — Você vai ter que ir até lá? — Não. Fred me convenceu do contrário, e ele tem razão. Mandaremos o Viktor. Ele parte na madrugada. — Killian deu um meio sorriso, aquele que aparecia quando ele sabia que tinha a peça certa no lugar certo. — Você conhece o Viktor. Ele é frio, preciso e não tem paciência para os jogos daqueles italianos. Ele vai liberar o porto e garantir que eles pensem dez vezes antes de olhar para um navio nosso novamente.
Último capítulo