Segunda-feira de manhã, acordei com o coração batendo na garganta. Era meu primeiro dia. Escovei meus cabelos longos, que quase tocam a cintura. Como não tenho dinheiro para cabeleireiro, quem quebra o galho é a Julia que adora brincar de cabelereira e ela ama o tom natural, um loiro cobre que, segundo ela, destaca meus grandes olhos azuis. Passamos horas tentando um penteado profissional na casa dela, mas desisti e fiz um coque despojado, deixando algumas mechas emoldurando o rosto. O resultado ficou bom.Mesmo com a demora, cheguei ao Centro com mais de uma hora de antecedência. Fui andando devagar pela Rio Branco. As sombras, é claro, apareceram rápido, e caminhei observando se queriam me dar alguma mensagem. Lembrei-me de uma ruela onde vira uma pequena lanchonete e, enquanto mexia na bolsa procurando moedas para um café — andando, como sempre, sem atenção —, dei de cara com um muro humano.Eu sou grande, tenho 1,70 m, mas aquele homem beirava os dois metros. O choque foi tão fo
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