Mundo de ficçãoIniciar sessãoAo passar pela divisória que leva até a cozinha, minha mãe, dona Suelen, me avista e faz sinal para que eu vá comer. Sinceramente, não acho que comida nesse momento caia bem. Então nego com a cabeça e apenas me aproximo da porta e fico ali, parada, observando meus pais por alguns instantes.
Meu pai está sentado à mesa, concentrado no jornal, enquanto minha mãe está de pé, virando o bacon na frigideira. Eles parecem tão alheios ao que está prestes a acontecer, tão tranquilos, como se o mundo ainda estivesse em perfeita ordem.
Minha mãe finalmente nota que algo está errado.
— Jessica, você está bem? — pergunta, com uma preocupação crescente em sua voz.
Eu respiro fundo, lutando contra o nó na garganta que ameaça me sufocar.
— Eu... preciso falar com vocês. — digo, tentando manter a voz firme, mas falhando miseravelmente.
Meu pai baixa o jornal, ajeita seus óculos e me olha, a preocupação agora também refletida em seus olhos.
— O que aconteceu, filha?
Sinto as lágrimas ameaçando voltar, mas me esforço para mantê-las sob controle.
— Eu... eu não passei para a Crestwood. — respondo com a cabeça baixa.
O silêncio que segue minha confissão é ensurdecedor. Minha mãe parece congelar no lugar, enquanto meu pai desvia o olhar, como se estivesse processando a informação.
— Como assim, não passou? — pergunta minha mãe, a voz trêmula. — Você estudou tanto, se dedicou tanto.
— Eu sei, mãe. Mas... não foi o suficiente.
Meu pai finalmente se levanta da cadeira, caminhando até mim. Ele coloca as mãos em meus ombros e olha fundo em meus olhos.
— Jessica, nós sabemos o quanto você se esforçou. E isso não diminui em nada o seu valor, entendeu? Nem todos os caminhos são fáceis, mas isso não significa que você tenha falhado.
Eu não consigo segurar mais as lágrimas.
— Mas e todo o esforço que vocês fizeram por mim? Eu...eu não queria desapontá-los.
— Você nunca vai nos desapontar, querida. — diz minha mãe, largando a frigideira e se aproximando de nós. — O importante é que você tentou. E se não deu certo dessa vez, vamos encontrar outra solução.
Eu me sinto um pouco mais leve com as palavras de conforto dos meus pais, mas o peso da situação ainda está lá.
— Só.. preciso de um tempo para processar isso. E para descobrir o que fazer a seguir.
Meu pai puxa uma cadeira e me faz sentar.
— Você vai superar isso, Jess. Nós estamos aqui para te apoiar em cada passo.
Minha mãe se ajoelha ao meu lado e segura minha mão.
— E quem sabe, talvez essa seja uma oportunidade para você explorar outros caminhos, outras possibilidades.
Tento sorrir, mas sei que o processo não será fácil. Há uma longa estrada pela frente, e embora meus pais estejam ao meu lado, ainda tenho que encontrar a força dentro de mim para continuar.
Depois de alguns minutos de silêncio, minha mãe me oferece um prato com um pouco de bacon e ovos.
— Talvez um pouco de comida ajude.
Eu hesito, mas acabo aceitando. Não é exatamente o que eu queria, mas talvez seja o primeiro passo para seguir em frente.
Enquanto como lentamente, penso em Lenna e em como contarei a ela sobre a conversa com meus pais. Sei que ela vai entender, assim como sempre entendeu tudo. E, de alguma forma, isso me dá um pouco de esperança.
Afinal, este pode ser o fim de um sonho, mas talvez seja o começo de algo novo. Eu só preciso descobrir o que.







