Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós alguns minutos eu começo a sentir uma ardência em meus dedos, eu não percebi antes mas a tela quebrada fez cortes nos meus dedos causando um leve sangramento. Que dia péssimo.
Minhas lágrimas começam a escorrer, a vida realmente me odeia, talvez a Brittany esteja certa, não me encaixo em lugar algum.
Outra notificação de Lenna me faz abrir novamente o aplicativo de mensagem, ignorando as dores nos dedos, os cortes ficam cada vez maiores.
Lenna: Sinto muito, minha princesa. Vamos resolver isso juntas.
Jessica: Obrigada Leh, mas não acho que tenha como resolver, está tudo acabado.
Lenna: Não fala assim, você pode tentar no próximo semestre, além disso eu posso te visitar nas férias.
Tento sorrir um pouco com as palavras de Lenna, mas ao fazer isso meus olhos se enchem mais de lágrimas.
Lenna: Eu sempre serei sua amiga, você sempre vai me ter, independente de onde você estiver.
Jessica: Eu sei. Preciso contar para meus pais agora, não sei como vão reagir.
Lenna: Seus pais são boas pessoas apesar de rígidos, sei que vão te dar apoio.
Jessica: Espero que sim.
Assim encerro a conversa e decido lavar os meus dedos antes de falar com meus pais.
Abro a porta do banheiro e me olho no espelho. Estou péssima, cabelos bagunçados e oleosos, lábios ressecados e olhos, outrora castanhos, agora vermelhos e inchados pelas lágrimas recentes. Minha pele negra parece tão pálida que não me reconheço. Me pergunto se essa realmente é a mesma pessoa a qual sempre pensei ser.
Decadência, é esta a palavra que define a situação. Provavelmente eu seria motivo de pena no colégio caso ainda estivesse em período letivo.
Abro a torneira e deixo a água escorrer pelos meus dedos, causando uma ardência. O ferimento que eu não poderia curar com água ou remédios estava agora na minha mente, estou confusa sobre o próximo passo, sobre o que fazer após isso tudo.
Com a água ainda caindo, resolvo lavar meu rosto, me abaixo em direção a pia e levo uma quantidade razoável de água à minha face. Ao terminar, fecho a torneira e enxugo meu rosto em uma toalha.
Encaro mais uma vez meu próprio rosto no espelho do banheiro, as mãos apoiadas na bancada, estou tão patética. Passo uma mão sobre meus cabelos desgrenhados, me sinto um pouco mais apresentável.
Tudo que eu precisava agora era criar coragem o suficiente para descer aquelas escadas e contar o ocorrido à mamãe e papai. Penso em como meu pai reagirá, Carlos é um homem bom, mas sempre foi disciplinado e correto, se estudei todos esses anos foi por esforço e dedicação do meu pai, todas as broncas me ajudaram a me destacar, mas talvez não tenha sido o suficiente para Crestwood. Imagino o quão abalado ele ficará ao saber que todo seu esforço de anos para que sua única filha tivesse a melhor formação foi em vão.
Por fim saio do banheiro e não me dou o luxo de trocar de roupa, qualquer minuto a mais nesse quarto me sufocaria e eu não teria paz até tirar esse peso dos meus ombros.
Desço as escadas pisando de dois em dois degraus, a ansiedade tomando conta de mim, sinto que a qualquer momento eu posso perder a cabeça.
Finalmente chego ao último degrau e ouço meus pais conversando na cozinha, era hora do café da manhã, sinto cheiro de ovos com bacon. Meus pais bem sabem que odeio o típico breakfast americano, prefiro um cuscuz com creme de leite. Segundo eles, preciso me adaptar ao local, muitas coisas do Brasil não se encontram em mercados aqui.







