Ao passar pela divisória que leva até a cozinha, minha mãe, dona Suelen, me avista e faz sinal para que eu vá comer. Sinceramente, não acho que comida nesse momento caia bem. Então nego com a cabeça e apenas me aproximo da porta e fico ali, parada, observando meus pais por alguns instantes. Meu pai está sentado à mesa, concentrado no jornal, enquanto minha mãe está de pé, virando o bacon na frigideira. Eles parecem tão alheios ao que está prestes a acontecer, tão tranquilos, como se o mundo ainda estivesse em perfeita ordem.Minha mãe finalmente nota que algo está errado.— Jessica, você está bem? — pergunta, com uma preocupação crescente em sua voz.Eu respiro fundo, lutando contra o nó na garganta que ameaça me sufocar.— Eu... preciso falar com vocês. — digo, tentando manter a voz firme, mas falhando miseravelmente.Meu pai baixa o jornal, ajeita seus óculos e me olha, a preocupação agora também refletida em seus olhos.— O que aconteceu, filha?Sinto as lágrimas ameaçando voltar,
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