Mundo ficciónIniciar sesiónA viagem foi tranquila. Ouvi um pouco de música gospel e acabei cochilando. Quando acordo, percebo que o avião já parou e os passageiros estão se levantando, pegando suas malas.
Olho rapidamente no espelhinho da capa do celular e vejo meu reflexo: cabelos bagunçados e o rosto marcado pelo sono. Sorrio para mim mesma. Maquiagem e joias nunca foram meu forte. Mesmo que minha igreja não exija um modo específico de vestir, prefiro me manter simples, para não chamar atenção. Desço do avião e respiro fundo. O ar é puro, com um leve cheiro de mar e sal. Meu estômago ronca — passei a viagem inteira sem comer para evitar enjoo. Avisto uma barraquinha de comida grega e meu coração acelera de empolgação. Souvlaki e Gyros. Sempre quis experimentar. O Souvlaki é carne (geralmente de porco) assada no espeto com vegetais. O Gyros tem origem turca, carne assada em um grande espeto vertical. Agora, poder provar tudo aqui, no próprio país, parece um sonho se realizando. Enquanto caminho em direção à barraca, sinto alguém tocar meu ombro. Assusto-me e viro rapidamente. — Oi! Desculpe, senhorita — diz uma voz rouca e grave. — Você deixou isso cair do bolso da mochila. Quando olho, vejo minha carteira nas mãos grandes dele. E então o observo melhor. O homem é alto, forte, com uma presença marcante. Veste uma calça jeans escura e uma camisa social branca, com os três primeiros botões abertos. Seus olhos são de um verde-água intenso, a sobrancelha levemente franzida, nariz e boca com traços marcantes, quase italianos. Os lábios são expressivos, o cabelo preto liso penteado para trás e uma barba escura bem cuidada completa o rosto. Ele é, sem dúvida, muito bonito. Ficamos alguns segundos nos encarando. Seu olhar percorre meu rosto da mesma forma que o meu percorre o dele. Volto a mim, envergonhada. — Oh, meu Deus! Muito obrigada, senhor. Eu estava tão distraída que nem percebi... — digo, sentindo o rosto esquentar. Ele abre um breve sorriso, mas logo o contém. — Só tome cuidado — responde, entregando a carteira. Em seguida, vira-se e entra em um táxi que já o esperava. Me perdoa, Deus... penso imediatamente. Aquele homem poderia ser casado. Eu não deveria ter olhado para ele daquela forma. Peço perdão mentalmente por ter contemplado sua beleza. Foi um pecado. Compro meu Gyros para viagem e pego um táxi até o hotel. Durante o caminho, fico impressionada com a beleza da ilha: praias de águas cristalinas, casinhas brancas com detalhes azuis, ruas estreitas cheias de lojas, restaurantes e o mar Egeu brilhando ao longe. Chego ao Astarte Suites. Depois do check-in, sigo para o meu quarto. Quando abro a porta, fico sem palavras. O quarto é enorme — maior que toda a minha casa. Tudo em tons brancos. Uma cama king-size no centro, sofás amplos, abajures elegantes. A parede dos fundos é toda de vidro, revelando uma vista impressionante do mar Egeu. Uma piscina infinita com borda de vidro e uma mesinha flutuante completam o cenário de sonho. — Obrigada, Senhor... — sussurro, emocionada. Tomo um banho demorado no banheiro com paredes transparentes, escolho um vestido longo preto e branco estampado com pequenas flores, sandálias baixas e calcinha e sutiã de algodão branco. Guardo o lanche no frigobar e aviso meus pais que cheguei bem. Agradeço a Deus pela proteção e peço que continue me guardando. Ao sair do quarto, não sei por quê, lembro novamente do homem do aeroporto. Balanço a cabeça, afastando o pensamento. Não, Júlia. Foque no que veio fazer aqui. Saio do hotel caminhando devagar, ansiosa para conhecer o máximo possível da bela Santorini.






