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𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝐈𝐕:𝐂𝐨𝐦 𝐜𝐢𝐮́𝐦𝐞𝐬? 𝐍𝐚̃𝐨!

𝐏𝐎𝐕: 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥𝐚

— Vamos, Manu! Só uma comprinha — diz Júlia, logo após me acordar da minha soneca.

Isso mesmo, meu povo: eu cheguei da casa do meu chefe e só queria dormir.

— Ai, Ju, tá bom… — resmungo, indo para o meu closet me trocar.

— Nossa, a gente só vai ao shopping — ela me olha de cima a baixo enquanto escolho a roupa. — Mas vamos logo, estou louca para comprar umas roupinhas lindas para a minha menina!

Júlia está grávida de cinco meses e é uma menina. Ela está muito animada; é o seu segundo filho. Júlia se casou com Miguel e teve o Vinícius, e agora, casada com Adam, terá a Luna. É um dos bebês mais esperados pelo nosso grupo, onde já temos a Maria.

Chegamos ao shopping e Viviane já nos esperava em um banco ali perto. Entramos juntas e fomos direto para o setor infantil. Depois de quase duas horas entrando e saindo de lojas, entramos em mais uma. As meninas olhavam vestidos lindos, enquanto eu examinava algumas araras até encontrar uma roupinha que me fez viajar, pensando no meu pequeno moreninho lá em casa.

— Manu, está me ouvindo? — Saio dos meus pensamentos com a voz da Vivi.

— Ah, sim, Vivi. Desculpe.

Ela me olha com aquele sorriso doce de sempre.

— A Ju teve que ir embora e eu também vou precisar ir agora. O Marcos está no meu pé.

Concordo e fomos até a praça de alimentação, onde o Marcos e o João estavam. Para minha surpresa, o meu pequeno moreninho também estava lá com o pai.

— Oi, tia! — Me abaixo e dou um beijo na bochecha do João.

— Oi, meu lindo! — Me levanto e vou até meu chefe. — Oi, meu amor… — Dou um "cheirinho" no bebê e brinco com suas mãozinhas. Ele solta uma gargalhada gostosa.

— Olá, senhorita Santos — diz Benício. Por um momento, eu tinha esquecido que ele estava ali.

— Ah, oi… — respondo, um pouco envergonhada por ter ignorado a presença dele.

— Querido, eu estou cansada. Será que podemos ir? — pede Vivi ao Marcos.

— Claro, querida. Mas eu ia ajudar o Benício a comprar umas coisas para o bebê — ele aponta para o amigo. Eu não estava prestando muita atenção, pois continuava distraída com o bebê.

— A Manu pode ajudar! — Vivi sugere. Saio do transe e a encaro sem saber o que dizer. — Não é, Manu?

— Ah… acho que sim.

Vivi sorri para o marido e ele concorda.

— Então podemos ir, meus pés estão me matando — ela se despede e eles saem.

— Então, senhor Millard, o que vamos comprar? — Ele me olha com aquela expressão de sempre: nenhuma.

— Só algumas roupas.

— Certo… Vai ser um longo dia.

𝐏𝐎𝐕: 𝐁𝐞𝐧𝐢́𝐜𝐢𝐨

Estamos há quase duas horas olhando roupinhas e outras coisas que minha secretária insiste serem fundamentais. Estávamos saindo da última loja; eu estava carregado de sacolas enquanto o bebê estava no colo da Manuela. Eu a observo e tenho que admitir: nunca parei para notar o quanto minha secretária é atraente. O que estou pensando?

— Que família mais linda vocês formam! — Uma senhora que conversava com Manuela nos interrompe.

— Ah, não, a gente não é… — Manuela começa a explicar, mas eu a corto.

— Obrigado.

Saímos em direção à praça de alimentação e nos sentamos. Fui fazer nossos pedidos e, quando voltei, havia um cara conversando com a rosada. Limpo a garganta com força e coloco a bandeja na mesa, assustando os dois.

— Desculpe, estou interrompendo? — Não sei o porquê, mas não fui com a cara desse sujeito.

— Claro que não, Benício — ela diz, e sinto um leve arrepio quando ela pronuncia meu nome. — Este é o Vitor, um amigo da faculdade.

— Hum — é a única coisa que respondo antes de me sentar.

— Eu já vou indo, Rosinha. A gente se vê por aí — o idiota se despede e vai embora. Já era sem tempo.

Ela come calada e eu também não estou com muita vontade de conversar. Na saída do shopping, insisti para levá-la em casa. Com muito custo ela aceitou e passou o caminho todo brincando com o bebê.

— Chegamos. — Ela ri de algo. Olho para trás e vejo o bebê todo lambuzado de chocolate.

— Não quer subir? — ela pergunta gentilmente, mas eu nego. Ela se despede mandando beijos para o pequeno e entra no prédio.

𝐏𝐎𝐕: 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥𝐚

Tudo o que é bom dura pouco. Meu despertador toca às seis da manhã. Levanto, faço minha higiene e tomo um banho rápido. No closet, escolho uma calça social preta flare. Como vou encontrar as meninas depois, coloco um body de renda preto por baixo e, para o ambiente de trabalho, um blazer que combina com a calça. Finalizo com um scarpin nude, gloss, máscara de cílios e um rabo de cavalo bagunçado.

Vou para a empresa e, assim que saio do elevador, dou de cara com meu chefe trazendo o bebê conforto.

— Senhorita Santos, temos uma reunião agora.

Fico sem entender. E o bebê?

— Não achei ninguém que pudesse ficar com ele, então você terá que cuidar dele e prestar atenção na reunião ao mesmo tempo. Consegue fazer isso?

— Acho que sim… — respondo, em choque.

— Ótimo, vamos.

Entramos na sala de reunião onde os sócios já esperavam. Me sento e Benício coloca o bebê ao meu lado. A reunião começa, mas logo o pequeno começa a chorar. Eu o pego no colo e tento niná-lo, mas ele não para.

— Que falta de profissionalismo! Como pode permitir que funcionários tragam filhos para a empresa, Benício? — indaga a víbora da Joice Fonseca.

— Ele é meu, senhorita Fonseca — responde Benício, visivelmente irritado.

Dou alguns tapinhas leves nas costas do bebê e, de repente, ele vomita direto no meu blazer.

— Está melhor agora, meu amorzinho? Aposto que seu pai te encheu de leite, né? — sussurro, mas o silêncio na sala é tão grande que acho que todos ouviram.

O bebê se acalma e eu o devolvo para o bebê conforto.

— Podem continuar — digo, calmamente.

— Ai, credo! — exclama a ruiva, me olhando com nojo.

Olho para o meu blazer e percebo que estou cheirando a leite azedo. Só um pouco de água não vai resolver. Preciso tirar a peça. Abro o blazer devagar e o retiro, revelando o body de renda por baixo. Quando termino de dobrar a peça suja, percebo que todos na sala estão me encarando, em choque ou admirados.

— Podem continuar a reunião agora — digo, já irritada com aquela gente.

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