Helena começou a chorar e gritou:
— Foi a mamãe! Ela sabia que nós éramos alérgicos e mesmo assim deu de propósito para a gente!
Arthur também assentiu com força.
— Ela é muito má!
Jaqueline agarrou o batente da porta com força.
— Vocês sabem o que estão dizendo? É melhor contarem a verdade agora!
Francisco se levantou de repente e segurou o pulso dela com força.
A pressão era tão intensa que parecia capaz de quebrar seus ossos.
— Chega! Jaqueline, é assim que você age como mãe? Além de machucar seus próprios filhos, ainda tenta fazer com que eles mintam?
A voz de Jaqueline tremeu levemente.
— Eu não...
Francisco soltou uma risada fria.
— Você quer dizer que seus próprios filhos estão inventando tudo isso só para prejudicar você? E ainda se considera uma mãe?
As duas crianças começaram a chorar de repente.
Francisco soltou Jaqueline imediatamente e se virou para acalmar os dois.
Mas eles choravam cada vez mais, e seus rostos pequenos ficaram vermelhos.
Helena soluçou:
— Papai, está doendo muito...
Francisco perguntou em voz baixa:
— O que eu posso fazer para vocês se sentirem melhor?
Arthur olhou para Jaqueline com os olhos cheios de lágrimas.
— Ela também tem alergia a manga. Faz ela tomar suco de manga também! Só assim ela vai saber como é sentir essa dor!
O coração de Jaqueline ficou completamente gelado.
Ela olhou para Francisco.
O olhar frio dele fez seu corpo inteiro estremecer.
Francisco se endireitou e estalou os dedos.
Dois seguranças abriram a porta imediatamente e entraram.
— Tudo bem. Segurem ela.
Jaqueline ainda não tinha entendido o que estava acontecendo quando foi agarrada e forçada a se sentar em uma cadeira.
Um dos seguranças segurou seu queixo e obrigou ela a abrir a boca.
Um litro de suco de manga foi despejado à força.
O líquido doce entrou pelo caminho errado, fazendo Jaqueline tossir violentamente.
Manchas vermelhas de alergia surgiram rapidamente por sua pele, seu rosto começou a inchar, e sua respiração ficou cada vez mais difícil.
Ela arranhava desesperadamente o pescoço enquanto sua visão ficava embaçada.
Mesmo assim, ainda conseguiu olhar para Francisco.
Ele continuava parado ali, sem nenhuma intenção de impedir aquilo.
As duas crianças já tinham parado de chorar.
Agora, batiam palmas animadas.
— Bem feito! Ela merece sofrer!
A última coisa que Jaqueline viu foi o olhar frio de Francisco.
......
Jaqueline não sabia quanto tempo havia passado quando acordou em uma cama de hospital.
As marcas vermelhas da alergia ainda estavam espalhadas pelo rosto.
Do lado de fora do quarto, ela ouviu a voz de Marina.
— Francisco, eu realmente não sabia que eles tinham alergia... Eu só queria preparar um copo de suco para eles...
A voz de Francisco era extremamente gentil.
— A culpa não é sua. Você não sabia.
Marina suspirou, parecendo impotente.
— Se eu tivesse explicado tudo antes, você não teria entendido mal a Jaqueline. Arthur, Helena... tudo isso foi culpa minha. Como vocês podem colocar toda a culpa na mãe de vocês só por minha causa?
As vozes das duas crianças chegaram claramente até o quarto.
Helena falou entre soluços:
— Marina, nós sabemos que erramos... É só que nós não gostamos da mamãe...
Arthur completou:
— É verdade. Ela sempre fica mandando na gente. Não deixa a gente comer doces e ainda obriga a gente a dormir no horário certo... Nós queríamos que ela fosse embora...
Os dedos de Jaqueline apertaram o lençol com força.
Aquelas eram as crianças por quem ela quase perdeu a vida ao dar à luz.
Ela ainda se lembrava do dia em que Arthur nasceu.
Não havia ninguém esperando por ela do lado de fora da sala de parto.
A enfermeira disse que Francisco estava em uma reunião importante e não poderia ir.
Ela sentiu tanta dor que chegou a desmaiar, mas precisou enfrentar tudo sozinha.
O nascimento de Helena foi ainda mais perigoso.
Ela teve uma complicação durante o parto e sofreu uma hemorragia intensa.
Os médicos chegaram a emitir um alerta de risco de vida.
Mas Francisco estava no exterior por causa de uma aquisição internacional.
E agora...
Os dois filhos pelos quais ela havia lutado com a própria vida tinham se tornado as pessoas que mais a machucaram.