Capítulo 5
A dor era tão intensa que Jaqueline mal conseguia respirar.

As lágrimas continuavam escorrendo sem parar.

Ela levou a mão ao peito e só conseguiu se acalmar depois de muito tempo.

Pouco depois, o toque do celular rompeu o silêncio.

Era uma ligação da companhia aérea confirmando os dados da passagem.

— Sra. Jaqueline, sua passagem para Santa Vitória já foi emitida. A senhora gostaria de escolher o assento?

Jaqueline limpou as lágrimas rapidamente.

Sua voz saiu baixa:

— Um assento próximo à janela, por favor. Obrigada.

Assim que desligou, a porta do quarto se abriu.

Francisco entrou devagar.

O terno dele continuava impecável, e até os punhos da camisa estavam perfeitamente alinhados.

Ele perguntou de forma indiferente:

— Com quem você estava falando?

Jaqueline colocou o celular de lado.

— Com uma amiga.

Francisco não perguntou mais nada.

Apenas ficou parado ao lado da cama, olhando para ela.

Sua voz era tranquila:

— O que aconteceu da última vez foi um mal-entendido. Foi Marina quem deu o suco de manga para eles, mas ela não sabia da alergia. Vamos esquecer isso.

O peito de Jaqueline apertou de repente, e por um instante ela não conseguiu respirar.

Se fosse ela, Francisco provavelmente a odiaria pelo resto da vida.

Mas, quando se tratava de Marina, aquilo simplesmente não era nada.

Jaqueline abriu a boca, querendo perguntar e gritar, querendo colocar para fora toda a mágoa e todo o ressentimento que guardou durante anos.

Mas, no fim, tudo o que conseguiu dizer foi:

— Tudo bem.

Como se toda a sua força tivesse sido arrancada do corpo, ela se sentiu completamente exausta.

Cansada demais até para falar.

Todas as injustiças que haviam tirado seu sono por tantos anos, toda a dor de nunca ser aceita...

Naquele momento, tudo se transformou apenas em um sorriso amargo.

Então essa era a diferença entre ser amado e não ser amado.

Francisco pareceu surpreso com a reação dela.

Depois acrescentou:

— Na próxima semana, as crianças vão para um acampamento de férias. Eu e Marina vamos acompanhar elas. Você pode voltar para casa sozinha.

Ele esperava a mesma reação de sempre: que ela implorasse, que pedisse para ele ficar.

Mas Jaqueline apenas assentiu com calma.

— Eu entendi.

Francisco franziu a testa.

A reação dela estava diferente demais do normal.

Mas, naquele momento, o celular dele tocou.

Ele olhou para a tela e falou:

— A empresa precisa de mim. Vou embora primeiro.

A porta se fechou.

Só então Jaqueline finalmente abriu as mãos que mantinha cerradas.

Na palma, havia quatro marcas profundas deixadas pelas unhas.

Nos dias seguintes, o celular de Jaqueline começou a vibrar sem parar.

Todas as mensagens eram de Marina.

Eram fotos e vídeos registrando os momentos felizes do acampamento.

Em um dos vídeos, Arthur e Helena apresentavam Marina orgulhosamente aos colegas:

— Essa é a nossa mãe!

As outras crianças ficaram impressionadas.

— Uau! Sua mãe é muito bonita!

— Seu pai é bonito e sua mãe é linda. Vocês têm muita sorte!

Uma criança perguntou, curiosa:

— Então quem costuma buscar vocês na escola?

Na gravação, Arthur e Helena ficaram em silêncio por alguns segundos.

Depois responderam:

— A pessoa que cuida da gente.

A mão de Jaqueline tremeu.

O copo de água escorregou de seus dedos e caiu no chão.

Ela se abaixou lentamente e olhou para os pedaços espalhados.

De repente, começou a rir.

Então, durante todos aqueles anos...

Ela tinha sido apenas uma babá gratuita.

Mas tudo bem.

Essa babá logo deixaria de existir.

No futuro, que a amada Marina cuidasse deles.

......

Uma semana depois, Anselmo levou Arthur e Helena de volta para a mansão.

Assim que entraram pela porta, as duas crianças correram para a cozinha com expressões animadas.

Helena gritou:

— Mamãe! Você sabe? A Marina torceu o pé na competição de pais e filhos, e o papai ficou morrendo de preocupação!

Arthur completou:

— O papai reservou o hospital inteiro para cuidar da Marina! Até cancelou reuniões da empresa e ficou com ela o tempo todo!

Jaqueline estava em frente ao forno.

Ela ouviu tudo em silêncio enquanto as crianças contavam a história com entusiasmo.

Sem dizer nada, colocou cuidadosamente as luvas térmicas nas mãos.

Helena bateu o pé, insatisfeita.

— Mamãe, você está ouvindo? O papai trata a Marina muito bem.

O barulho do forno interrompeu a fala dela.

Um aroma doce se espalhou pela cozinha.

As duas crianças se aproximaram imediatamente.

Arthur ficou na ponta dos pés.

— É bolo! Eu quero comer!

Jaqueline tirou a assadeira do forno.

As bordas do bolo estavam um pouco queimadas.

Ela franziu a testa e, sem hesitar, jogou tudo no lixo.

Helena gritou:

— Por que você jogou fora?

Jaqueline respondeu calmamente:

— Queimou. Não dá para comer.

Arthur chutou a lixeira com raiva.

— Você está mentindo! Fez isso de propósito! É porque ainda está brava pelo que aconteceu antes e não quer deixar a gente comer! Você é uma mãe ruim!

Helena também falou com raiva:

— Nós não queremos uma mãe como você!

Jaqueline tirou as luvas térmicas.

Sua respiração ficou pesada.

Ela olhou para aquelas duas crianças, pelas quais quase perdeu a vida ao dar à luz.

Pela primeira vez, sentiu que eles eram completos desconhecidos.

Falou em voz baixa:

— Tudo bem. Eu também não quero filhos como vocês. Daqui para frente, procurem a Marina.

Depois disso, virou as costas e caminhou em direção à escada.

Atrás dela, vieram os gritos das duas crianças:

— Nós odiamos você! Vamos odiar você para sempre!

Os passos de Jaqueline pararam por um instante, mas ela não se virou.

No momento em que colocou o pé no terceiro degrau, ela sentiu um empurrão violento nas costas.

— Morra!

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