GABRIEL MONTENEGRO
As luzes vermelhas e azuis das viaturas da polícia suíça já cortavam os reflexos da neve no chão do hangar. O som das sirenes parecia martelar dentro do meu crânio, competindo com o zunido ensurdecedor das turbinas do Gulfstream G650.
Melissa continuava imóvel diante de mim. O vento congelante castigava seu sobretudo preto, mas ela não piscava. Aqueles olhos — que eu passei seis anos tentando esquecer e seis anos tentando reencontrar — eram duas fendas de puro gelo calculist