GABRIEL MONTENEGRO
O painel digital do meu utilitário esportivo alugado marcava sete da manhã, mas o céu de Zurique parecia preso em uma noite eterna. A nevasca castigava o para-brisa com violência, desafiando a velocidade máxima dos limpadores. Minhas mãos apertavam o volante com tanta força que os nós dos meus dedos estavam brancos.
— Fala que é mentira, Zane! — eu rachei o silêncio do carro, gritando no viva-voz do celular.
— Não é, chefe — a voz de Zane veio cortada pela estática e pelo so