O táxi deslizava pelas ruas de Nova York, mas eu não via nada.
As luzes da cidade passavam como borrões pela janela. Os prédios, os letreiros, o turbilhão do mundo lá fora — tudo se misturava num emaranhado de cores borradas pelo meu choro. Eu estava congelada. Minhas mãos apertavam a mochila contra o peito com tanta força que os nós dos meus dedos doíam, mas eu precisava segurar alguma coisa. Precisava me ancorar. O ar dentro do carro era pesado, espesso. Cada inspiração parecia rasgar meus pu