O tempo não passou. Ele estagnou, transformando-se em uma sucessão de momentos cinzentos e mecânicos.
Eu não chorava mais. As lágrimas tinham secado na noite em que o mundo acabou, deixando apenas uma crosta de sal e uma secura eterna na minha garganta. O enterro foi um borrão de terra úmida, flores brancas que pareciam artificiais e o som oco da pá atingindo o caixão. Eu estava lá, de preto, com o rosto impassível, cumprindo os rituais que a sociedade exigia, mas minha alma não estava presente