Convite para o café

Letícia olhou diretamente para Helena e, logo depois, para Luísa, que perguntou, inocente:

— Mamãe, o que é capetinha?

Ao ouvir a pergunta, Sílvia respondeu com doçura afiada:

— Minha doce, é uma palavra sem significado. Vem de um vocabulário pequeno, de pessoas baixas, capazes de atacar até uma criança.

Obviamente, Luísa não entendeu o que Sílvia quis dizer, mas os adultos, com certeza, sim.

Helena, por sua vez, fez a expressão de vítima ofendida — como sempre fazia. E, como sempre, André apressou-se em defendê-la.

— Mamãe, por favor…

— Mamãe, por favor o quê?

A briga foi interrompida por Eduarda, que nem quis entender o que estava acontecendo. Só queria tirar Letícia e a sobrinha dali. Só de ver Helena, sentia-se arrepiar: era uma mistura de asco e medo, por não duvidar até onde Helena seria capaz de ir para conseguir o que queria.

— Boa tarde — disse, fazendo um aceno para os três. Em seguida, voltou a atenção para Letícia. — Leh, me desculpa a demora, o celular tocou, era um cliente. Enfim, vamos para a nossa mesa.

Letícia despediu-se brevemente de Sílvia, mas Luísa a abraçou com força, como se não quisesse soltá-la mais. A afinidade das duas era algo impressionante, ainda mais considerando que Luísa demorava a se abrir com pessoas que acabara de conhecer, e que Sílvia era famosa por manter sempre a postura e a classe. Mas, naquele momento, se lhes fossem dados mais cinco minutos, estariam fazendo tranças uma no cabelo da outra.

— Luísa, peça para sua mãe te levar para tomar um chá na minha casa o quanto antes.

— Tá bom! Vou levar a Angelina — respondeu, levantando a boneca no ar.

— Combinado. Espero vocês.

Ao ouvir aquilo, Helena ficou vermelha de raiva. André, por sua vez, não gostava nem um pouco do que a mãe estava fazendo, mas gostava menos ainda do melodrama que teria de ouvir dali em diante: o quanto sua mãe não gostava de Helena, o quanto nunca a respeitava. Naquele caso especial, o assunto era Letícia — e Helena tinha seus motivos para odiar aquela mulher, ainda que o verdadeiro culpado da tragédia fosse ele. Muito de todo aquele mal vinha de tudo o que Letícia havia feito.

Assim que chegaram à mesa, Luísa perguntou:

— Mamãe, você pode me levar na casa da Sílvia?

Letícia sorriu antes de responder:

— No futuro combinamos, Lulu.

Não queria se aprofundar naquela história.

— Promete?

— Hmmm… prometo sim, Lulu!

Luísa sorriu satisfeita. Sua mãe nunca quebrava promessas — pelo menos era isso que ouvia o pai dizer sempre.

— Letícia, o que foi aquilo agora há pouco?

— Duda, depois conversamos — sinalizou discretamente para Luísa.

Mas Luísa, muito rapidamente, respondeu:

— Aquela moça bonita me chamou de… me chamou de quê mesmo, mamãe? Ah, capetinha!

Eduarda arregalou os olhos e sentiu o sangue subir.

— E aquele marido dela não fez nada? Não consegue controlar a mulher dele?

— Claro que fez, defendeu — respondeu Letícia, sem demonstrar surpresa. — Você esperava algo diferente? Só não esperava que a Sílvia ainda detestasse tanto a Helena, e que não fizesse questão nenhuma de esconder.

— Nunca fez, Leh. A Sílvia sempre deixou clara a insatisfação dela com esse casamento. Mas depois, só o André não pode ouvir nada que contrarie a esposa — disse, revirando os olhos. — Dá nojo. Eu esperava um pouco mais de decência da parte dele. Como um adulto ataca uma criança assim? — falou, exausta.

Percebendo que Luísa estava ouvindo mais do que devia, Letícia mudou de assunto prontamente.

— Para de besteira e vai dar almoço pro seu afilhado.

Mostrou a língua e sorriu, tentando apaziguar os ânimos de Eduarda.

Eduarda mostrou a língua de volta. Desde a infância, elas faziam isso.

O almoço correu leve e sereno, entre risos e conversas amigas.

— Agora vamos — disse Eduarda, sorrindo. — Sei de dois avós que estão loucos de saudade dos netos.

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