SÃO PAULO
Pedro olhou para o celular, incrédulo. Caixa postal. Ela não ia voltar. Quatro dias. Quatro dias num fuso horário diferente, a milhares de quilómetros de distância, magoada e com acesso total a homens poderosos que adorariam "consolar" a CSO da Montenegro Corp.
Ele levantou-se e atirou o celular para o sofá do escritório. O som abafado do impacto não aliviou a tensão no seu peito. Ele tinha conseguido os códigos. Tinha destruído Lúcia financeiramente. A vitória era total. Mas o escritório parecia um mausoléu.
— Carla! — gritou ele para o intercomunicador. A assistente entrou, apreensiva. — Sim, Senhor Montenegro? — Cancele o meu jantar com o Ministro. Cancele tudo depois das 18h. — Sim, senhor. Vai... vai para casa mais cedo? — Vou trabalhar daqui. E ligue a Marcus. Quero saber o itinerário exato da Isabella em Quioto. Hotel, transporte, segurança. Se ela espirrar, eu quero saber.
Ele sabia que estava sendo um controlador. Sabia que era exatamente isso que ela detestava.