Capitulo 82

A luz do amanhecer nas Caimão era de um tom rosa e dourado que parecia quase obsceno, uma beleza inocente a derramar-se sobre um mundo de segredos e pecados.

Voltamos para a villa em silêncio. A adrenalina da descoberta no cofre deu lugar a uma exaustão pesada. Pedro não disse uma palavra durante a viagem. A sua mão, no entanto, nunca largou a minha. Não era um gesto de posse, mas de ancoragem. Como se eu fosse a única coisa que o impedia de se desintegrar.

Ao entrarmos na villa, a equipe de segurança de Marcus estava de saída. — A vigilância sobre o alvo (L.V.) está ativa, senhor. Ela ainda está no hotel. A casa de Finch está limpa.

Pedro apenas assentiu, dispensando-o. A porta fechou-se. Estávamos sozinhos.

O livro-razão com os segredos de Lúcia estava sobre a mesa de centro, uma bomba-relógio silenciosa.

Pedro foi até ao bar e serviu-se de um uísque. Às sete da manhã. Ele estendeu um copo para mim. Eu recusei com um aceno de cabeça.

Ele bebeu o líquido de um só gole, o vidro
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