O SUV preto deslizava pela noite tropical como uma sombra. O silêncio dentro do veículo era mais pesado que a humidade lá fora, uma calmaria tensa e focada que se instalara após a tempestade no jato.
Eu não olhava para Pedro, mas sentia a sua presença. Ele já não era o homem quebrado pela confissão ou o amante selvagem que me reivindicara contra a fuselagem. Era o Senhor Montenegro, uma arma de precisão focada num único objetivo. E eu era a munição que ele ia usar.
O banco era um monólito de vidro escuro e aço, um templo de segredos financeiros numa rua que cheirava a sal marinho e dinheiro velho. Estava escuro, claro. Eram quatro da manhã.
Marcus parou o carro numa entrada de serviço discreta. — A sua presença aqui é "off the record", senhor. O gerente do banco está à sua espera na entrada privada. Ele foi... persuadido a cooperar.
Pedro apenas assentiu. Ele saiu do carro e, num gesto que já era um instinto, estendeu a mão para mim. Eu a peguei. As nossas mãos entrelaçaram-se, nã