ISABELLA
A Rodovia Castelo Branco era um tapete escuro estendendo-se diante de nós. O rugido do motor do Aston Martin era um zumbido constante e hipnótico, embalando-me num estado de sonolência feliz.
A adrenalina do "sequestro" tinha baixado, deixando no lugar o efeito residual das taças de Dom Pérignon que eu tinha virado com a Carol.
Olhei para o lado.
Pedro dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada na minha, descansando sobre a sua coxa. O perfil dele era iluminado apenas pelas luzes esparsas dos postes e pelo brilho esverdeado do painel. Ele parecia concentrado, mas havia uma leveza nos ombros dele que eu não via há meses.
Encostei a cabeça no vidro frio, deixando a mente vagar.
Parecia que tinha sido noutra vida. A Isabella que pegava ônibus lotado, que contava moedas para o almoço, que tremia de medo antes de entrar na sala dele para servir café.
Olhei para o anel no meu dedo. Um diamante que valia mais do que o prédio onde eu cresci.
— No que está pensando?