O beijo na pista terminou, mas Pedro não se afastou. Ele ficou ali, a respiração pesada batendo no meu rosto, os olhos varrendo o perímetro como um guarda-costas prestes a sacar uma arma.
— Vou buscar bebidas — ele disse, a voz dura. — Fique aqui. Não se mexa. E se alguém chegar perto...
— Eu mordo — completei, sorrindo de canto. — Vai logo, Pedro. Estou com sede.
Ele hesitou, apertou minha cintura uma última vez e sumiu na multidão.
Fiquei parada, o vestido de metal pesando no corpo, sentindo os olhares. Não demorou dez segundos. Senti uma presença atrás de mim, quente, próxima demais.
— Corajoso — a voz de Alexander Vane sussurrou direto no meu ouvido. — Ou estúpido. Abandonar o troféu no meio da pista.
Virei-me devagar, sem perder a postura. Vane estava com um copo de uísque na mão, o nó da gravata frouxo, o olhar vidrado no meu decote.
— Ele não me abandonou, Alexander. Ele foi me servir. — Cruzei os braços, o metal do vestido tilintando. — Existe uma diferença.
Vane riu, dando um