Mundo ficciónIniciar sesiónDahlia
A viagem de carro é silenciosa e pesada. Meu corpo ainda está tenso e em alerta. Leo está sentado em meu colo, o mais longe possível de Lakan, que também decidiu se sentar no banco de trás, deixando Mikaelson no banco do carona.
“Para onde você está nos levando?” questiono, tensa e desconfiada. “Quem eram aquelas pessoas? O que eles querem com o meu filho?”
Lakan rosna em minha direção, seu rosto está carrancudo e seu olhar me fuzila.
“Eu não lembro de ter ido para a cama com você, fêmea. Esse filhote não é seu filho,” Lakan responde com secura na voz.
“Como se eu algum dia fosse querer me deitar com um troglodita como você! Nem sei como a minha irmã teve coragem de fazer isso,” rebato com acidez. “Na verdade, pensando bem, acho que nem ela se deitaria com você. Leo provavelmente nem seu filho deve ser. O que vocês estão fazendo é sequestro!”
“Olha aqui, garota, eu não tenho problema algum em te chutar para fora desse carro e pegar o menino. Ele é meu filho e eu tenho certeza disso, igual tenho certeza que um mais um é dois,” Lakan rebate. “Agora, cala a sua maldita boca antes que eu faça isso por você.”
“Você não vai tocar na minha mãe, seu monstro nojento. Eu acabo com você!” Leo grita nervoso em direção ao Lakan.
Ele chuta a perna do Lakan, mas isso nem sequer faz cócegas no homem.
“Mais uma prova de que o menino é filho do alfa. Ele defende o que é dele,” Mikaelson comenta com humor no banco da frente.
Nossos olhos se cruzam pelo retrovisor interno e Mikaelson solta um sorriso curto.
Lá estava essa palavra novamente. Alfa. Eu vi o Lakan se transformar na minha frente e, mesmo assim, não consigo conceber a ideia de que isso foi real.
“O que vocês são?” gaguejo a pergunta com apreensão.
“Eu já te disse, fêmea. Sou um alfa. Somos lobisomens”, Lakan responde com impaciência.
“Dahlia. Meu nome é Dahlia. Não é fêmea, garota ou qualquer outro estúpido nome que você pense em me chamar!” rebato, irritada. “E lobisomens não existem!”
Brian e Mikaelson riem da minha declaração e isso me deixa ainda mais irritada.
“Como você explica o que acabou de acontecer então, Dahlia?” Lakan provoca. “O que você viu eu fazendo?”
“Delírio. A mente humana é capaz de criar imagens irreais quando está sob muita pressão.” Respondo com tremor na voz.
Lakan revira os olhos e levanta a mão em minha direção. Vejo os dedos dele se alongarem e, no lugar das unhas, presencio o surgimento de garras.
“Olhe para mim,” ele ordena com um rosnado.
Eu obedeço e olho seu rosto. Os olhos do Lakan voltam a ser dourados e seus dentes saltam para fora dos seus lábios, presas caninas longas surgem e seu rosto fica parcialmente animalesco.
“Acha ainda que é apenas um delírio?” Ele provoca com humor ácido.
Leo se agita em meu colo e vejo o horror em seu rosto. Coloco a mão em seus olhos e o escondo, puxando a cabeça do meu filho em direção ao meu ombro.
Me afasto ainda mais do Lakan, quase atravesso a porta do carro para manter uma distância segura dele.
“Por que você quer o Leo? O que foi aquilo tudo?” questiono, assustada.
“Ele é meu herdeiro. E aquilo é algo que você não precisa se preocupar agora,” Lakan responde com firmeza.
“Seu herdeiro? Como? Quem me garante que você é de fato pai do meu filho?” pressiono, chateada.
Leo possuía muitos traços parecidos com os de Lakan, admitia isso. Porém, isso não é o suficiente para que eu confie na palavra de um homem que se transforma em um monstro e mata pessoas.
“Em nosso mundo, não há dúvidas sobre a paternidade,” Mikaelson responde com uma voz calma. “Alfa Laka sentiu o vínculo com o filho no momento em que o menino fez oito anos. Temos procurado por vocês desde então.”
“Chegamos, alfa,” Brian anuncia, interrompendo a conversa.
Olho para frente e compreendo o que Brian quis dizer. Estamos parados na frente de um enorme portão de ferro com o símbolo do lobo que vi na carta de minha irmã. Estamos rodeados de árvores, no meio da floresta. Meu coração pulsa apressado dentro do meu corpo.
Observo homens armados, uivos cortam o ar da noite. Sinto que estou entrando em uma fortaleza secreta.
“Onde estamos?” sussurro a questão apreensiva.
“Em casa. Na minha alcateia, Lobo de Ferro.” Lakan responde orgulhoso.
***
“Vocês podem ficar aqui na minha casa por enquanto,” Lakan informa, sério.
“Mamãe, eu não quero morar aqui.” Leo diz assustado.
Seguro a mão do meu filho com força e tento consolá-lo.
“É só por essa noite, meu anjo.” Digo para tranquilizá-lo.
“Não será só por uma noite,” Lakan rebate, autoritário. “Pela nossa lei, nossos filhotes moram com os pais até chegarem à maturidade. Aqui é a casa dele agora.”
“Eu quero um teste de DNA.” Ordeno com convicção. “Quero ter certeza de que o que você está dizendo é verdade. Que Leo é o seu filho. Se ele não for, iremos embora daqui e nunca mais iremos nos ver.”
Lakan rosna em minha direção, mas eu mantenho a firmeza na minha postura.
“Amanhã iremos fazer o teste de sangue, fêmea,” ele responde com acidez na voz.







