Capítulo 4

Dahlia 

“Mikaelson, verifique o quarteirão, veja quantos são. Pelo meu olfato, senti que podem ser uns cinco, mas eles podem estar camuflando o cheiro.” Lakan ordena com a voz firme. “Você, cheque outras entradas da casa.”

Os dois rapazes obedecem às ordens de Lakan como se ele fosse um rei. Olho para isso tudo, incrédula.

“Você,” ele aponta o dedo para mim. “Não estava nos planos levá-la junto, mas parece que meu filho é muito apegado a você. E não temos muito tempo para explicações.”

Dessa vez sou eu que solto uma risada zombeteira na direção de Lakan.

“Isso é loucura!” informo, incrédula. “Não iremos a lugar nenhum. E se você não sair daqui agora, eu ligarei para a polícia e não me importa se você é o pai biológico dele ou não. Você não tem direito de invadir minha casa e querer levar o meu filho de mim.”

Lakan lança um olhar furioso em minha direção, isso me causa medo, mas me mantenho firme. Seguro Leo ainda mais com força contra o meu corpo.

“Eu sou um lobisomem. Um alfa e irei levar meu herdeiro para longe dessa pocilga com ou sem você, garota!” Lakan declara-se autoritário.

Som de tiros corta o ar e também o vidro de um dos quartos atrás da gente. Lakan se aproxima de nós e nos obriga a abaixar, nos protegendo seja lá do que está atirando contra nós. Mikaelson surge instantes depois, apressado.

“Alfa!” ele grita o título insano de Lakan como aflição.

“Levem-nos para o carro, agora!” Lakan ordena de forma autoritária.

Mikaelson obedece, ele me coloca de pé com um puxão. Sem conseguir raciocinar direito, pego Leo no colo e meu filho se agarra em mim com todas as forças que tem. Mikaelson passa os braços em volta de mim, puxando-me  para perto dele. Seu corpo é firme, quase uma muralha. Quero protestar contra essa aproximação, mas as palavras fogem dos meus lábios.

Mais uma onda de tiros percorre o cômodo e eu instintivamente me abaixo, colocando meu corpo inclinado para frente para proteger Leo.

“Fiquem perto de mim!” Mikaelson ordena.

Saímos de casa e percebo de onde estão vindo os tiros. Uma van escura parada do outro lado da rua, não consigo ver as pessoas dentro dela, apenas o lampejo dos tiros. O outro homem que veio com Mikaelson e Lakan está escondido, atirando de volta.

Mikaelson nos conduz para um carro escuro.

“Fiquem abaixados, irei voltar para ajudar o Brian!” Mikaelson declara.

“Não!” peço, desesperada e assustada. “Não nos deixe aqui sozinhos!”

Agarro a mão dele com força, surpresa comigo mesma ao fazer isso. Eu devia deixá-lo ir e fugir dentro desse carro, tirar Leo daqui. Mas meu corpo não obedece a esse raciocínio.

Ele olha para mim surpreso e sinto meu coração gelar no lugar.

“Vocês vão ficar seguros aqui, o carro é blindado. Eu vou voltar, eu juro,” ele afirma com a voz calma.

Mikaelson fecha a porta atrás de si e eu observo, assustada, ele se afastar de nós.

“Mamãe, eu estou com medo.” Leo sussurra choroso em meu colo.

Eu o abraço com mais força, tentando protegê-lo e acalmá-lo. Os tiros cessam e o que vem em seguida é algo extremamente surreal.

De dentro de casa, sai Lakan de uma forma que meus olhos não conseguem compreender. Seus braços, que antes estavam cobertos com o sobretudo, estão expostos e transformados. Garras afiadas surgem dos seus dedos. Ele uiva e inclina o corpo para frente como se tivesse sido atingido pelas balas. Mas o que acontece em seguida me deixa ainda mais assustada.

Lakan se transforma em um enorme lobo de pelagem marrom e olhos dourados incandescentes.

De dentro da van, saem homens armados. Eles continuam o tiroteio, mas por um breve momento quase insignificante. Lakan avança na direção deles e a cena é brutal. Ele dilacera os homens como se fossem animais indefesos.

Mikaelson e Brian surgem logo atrás, eliminando os restantes dos invasores. De repente, Lakan arremessa um dos homens em nossa direção, atingindo o carro com um baque estrondoso. Leo pula do meu colo assustado e meu coração quase sai pela minha boca.

O homem olha diretamente para mim, seus olhos são avermelhados e assustadores. Ele abre um sorriso malévolo em nossa direção com um rastro de sangue nos lábios.

“Leo...” Ele diz o nome do meu filho como se fosse um mau presságio.

Um tiro corta o ar e o homem cai no chão, sem vida. Um grito escapa dos meus lábios.

A adrenalina surge no meu corpo e o desespero de fugir e proteger Leo me domina. Coloco-o abaixado entre os bancos do carro e pulo para frente, no banco do motorista. A chave do carro está na ignição e eu respiro aliviada.

Dou a partida no carro e acelero para sair dali o mais rápido possível. Deixo para trás o caos e o som assustador daquele confronto. Dirijo cambaleando pela pista, sem conseguir manter o carro em linha reta.

Me obrigo a olhar para frente, a me manter focada em fugir. Entretanto, algo pula em cima do carro que faz ele balançar e eu quase perco o controle. De repente, vejo pelo para-brisa o rosto do Lakan transformado. O enorme lobo pula na frente do carro e eu sou obrigada a frear com todas as minhas forças. O carro para a centímetros dele e eu sinto meu corpo todo ficar tenso.

Os olhos dourados dele me encaram de uma maneira que eu não consigo me mover. Em instantes, alguém abre a porta do motorista, mesmo assim eu não me movo.

“Dahlia, está tudo bem!” Mikaelson diz ao meu lado. “Já acabou. Vem, sente lá atrás.”

Ele me pega pela cintura e me tira do banco do passageiro. Mas antes de me conduzir para trás, eu inclino para frente e vomito. Isso quase pega nos sapatos de Mikaelson se ele não tivesse reflexos rápidos. Ele se afasta de mim e eu me apoio no carro, sentindo meu estômago se contrair e tudo o que jantei sair de dentro de mim.

Sinto alguém segurando meu cabelo, afastando-o do meu rosto.

“Está tudo bem. Já passou,” Mikaelson repete ao meu lado. Percebo que é ele que está segurando meu cabelo e afagando minhas costas.

“Já chega. Enfia ela dentro do carro ou deixamos ela aí mesmo,” Lakan informa sério. “Eles vão voltar e precisamos ir logo para casa.”

A ameaça do Lakan desperta em mim o instinto de proteção para com Leo. Endireito o meu corpo e lanço um olhar raivoso contra Lakan. Ele já está de volta ao normal e com um olhar ainda mais frio que o normal. Afasto as mãos do Mikaelson contra mim e entro no carro ao lado do meu filho.  

“Você não vai levar meu filho de mim!” declaro com firmeza.

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