220. Está acontecendo
André
Chegamos às onze. E eu sei exatamente quando isso acontece, porque cada minuto dentro daquele carro pareceu mais longo do que deveria. A cidade surge diante de nós com uma normalidade irritante, como se o mundo não tivesse mudado completamente enquanto a gente atravessava a estrada. Mas mudou. Pra mim mudou tudo.
Quando o orfanato aparece à nossa esquerda, eu travo. O olhar gruda no portão, na fachada simples, no nome pintado que já começa a descascar com o tempo. Peço para Laís diminuir