217. Um norte
Laís
O telefone parece mais pesado na minha mão do que deveria. Não é só uma ligação. É a primeira porta. E talvez a única.
Eu sinto o André atrás de mim, perto o suficiente pra eu saber que ele está ali, mesmo sem olhar. A presença dele não pressiona, não invade, mas carrega uma expectativa calada que ecoa mais alto do que qualquer palavra.
O toque chama. Uma vez. Duas. Três. E então: "Alô, bom dia, instituição Casa Abrigo."
"Bom dia", eu respondo, firme, mas sem perder a calma. "Meu nome é La