CAPÍTULO 4

Senti meu rosto esquentar de raiva, vergonha e humilhação enquanto olhava para todos aqueles rostos que riam de mim, debochando da minha situação.

Olhei para April, tentando segurar as lágrimas.

— Por quê? Por que está fazendo isso? Como pode se aliar a esses dois? Você é minha melhor amiga!

— Ah, por favor — April cruzou os braços e se aproximou de mim. — Eu só suportei você todo esse tempo porque meus pais me obrigaram. Eu tinha que ser a sua cachorrinha para garantir os investimentos dos seus pais nas empresas dos meus.

April chegou mais perto.

— Acha mesmo que eu gostava de estar sempre disponível para você? Acompanhar você nas compras, carregar suas sacolas, suportar esse seu jeito de superioridade fingindo ser a boazinha? Você não sabe como eu odiava viver sempre na sua sombra! Eu sempre fui “a amiga da Evelyn Fuentes”, mas agora eu estou livre! Você não é mais a poderosa e intocável herdeira. Está na hora de você se sentir como todos nós nos sentimos esse tempo todo, tendo que seguir e suportar você!

— Isso mesmo! — acrescentou um rapaz.

— Todos nós tivemos que pisar em ovos e servir você por obrigação dos nossos pais, com medo dos Fuentes. Agora isso chegou ao fim! — disse outra garota.

Eu olhava para todos aqueles que considerava meus “amigos” e via seus sorrisos como os de hienas prontos para desmembrar sua presa.

Eu não me lembrava de ter sido ruim com nenhum deles. Sempre ajudei e estive por perto, mas, pelo visto, essa bondade foi interpretada como soberba e superioridade.

— Pois é, Evelyn — Adelina começou, aproximando-se ainda mais de mim. — Parece que você não só perdeu seus pais, como também não tem mais dinheiro para comprar amigos. Então aceite esse nosso gesto de bondade. Nos sirva esta noite, seja nossa criada VIP, e nós vamos juntar uma vaquinha para você, em homenagem aos velhos tempos. O que acha?

Senti a raiva subir pelo meu corpo enquanto olhava para ela e não pude me conter, levantei o braço para desferir um tapa nela, mas meu pulso foi segurado antes mesmo de atingir seu rosto.

Vítor apareceu como um relâmpago, segurando meu pulso com força suficiente para quebrá-lo, e me encarou com um olhar cheio de raiva e desprezo.

— Você está louca? Quer perder a mão? — ele rugiu para mim

— Vocês é que estão loucos se pensam que vão me humilhar ainda mais!

Tentei puxar meu braço para me soltar, mas ele apertou ainda mais.

— Você realmente ainda não percebeu, não é? Você não é mais aquela herdeira que tinha tudo aos seus pés. Agora é você quem deve ficar aos pés dos outros e implorar por eles. Então comece a se colocar no seu lugar. Pegue o uniforme e faça como a Adelina disse.

Eu o encarava, incapaz de impedir meu coração de doer. Até ontem, ele me mandava mensagens de boa noite e dizia que me amava. Até ontem, eu imaginava um futuro ao lado dele. Agora, era como olhar para um completo estranho que só queria a minha destruição.

Usei toda a minha força, soltei meu pulso e o encarei.

— Se você quer que ela seja servida, sirva você. Afinal, você já está acostumado com esse tipo de trabalho baixo, beijando meus pés todos esses anos para conseguir o que queria, não é mesmo?

O rosto de Vítor ficou vermelho de raiva, mas não me importei. Virei-me e dei um passo em direção à saída, não ficaria ali nem mais um segundo dando o gosto de vitória para eles.

Porém, parei subitamente ao ouvir a voz de Vítor novamente, dizendo algo que me fez congelar.

— Eu já mandei um pessoal limpar a mansão dos Fuentes e jogar todo o lixo fora. Amanhã eu vou ocupá-la. E basta uma ligação minha para os corpos dos seus pais serem jogados em um lugar onde você nunca mais vai encontrá-los!

Virei-me bruscamente, tomada pela raiva e pelo horror.

— Não se atreva a tocar neles! — gritei, aproximando-me dele.

— Você pode me odiar, mas meus pais não têm nada haver com isso! Eles cuidaram de você como um filho! Deram tudo a você! Como você pode ser tão cruel e tratá-los assim?!

Vítor deu um passo à frente, aproximando-se ainda mais.

— Eles só queriam se mostrar superiores ajudando um órfão, o “bonequinho” da filha deles. E eu já paguei tudo sendo empregado deles naquela empresa, e suportando você esses anos todos. Então, o desprezo que sinto por você não é menor do que o que sinto por eles.

Vítor pegou o uniforme no chão e o estendeu na minha direção.

— Pare de ser orgulhosa. Você não tem mais posição para isso — ele tirou um cartão dourado de seu bolso e o jogou na mesa.

— Vista isso, nos sirva, pegue o dinheiro e poderá levar os corpos dos seus pais e dar a eles um enterro digno.

Olhei para ele, para o cartão, e depois para o uniforme.

Fazer aquilo seria como deixar que pisassem no que restava do meu orgulho e dignidade.

Mas, se eu não fizesse... poderia perder o último momento com as únicas pessoas que realmente me amaram.

Segurando minhas lágrimas e engolindo meu orgulho, segurei no uniforme e ouvi as risadas irromperem pela sala.

Adelina sorriu largamente, triunfante e vitoriosa. April não estava diferente, com um sorriso de satisfação, assim como os outros, ansiosos para testemunharem a minha ruína, exceto por Vítor, que continuava com seu olhar frio e gelado sobre mim.

Me virei e saí da sala, deixando para trás os risos.

No banheiro, deixei cair todas as lágrimas que vinha segurando. Eu não sabia o que doía mais: o meu orgulho ou a traição de todos aqueles em quem eu confiava.

Enxuguei meu rosto, vesti o uniforme e olhei para minha figura no espelho.

O corpo que antes era vestido por roupas elegantes e de grife, agora vestia uma saia curta preta, meia-calça e camisa branca do tecido mais barato, que fazia minha bele coçar, mas suportei.

"Será só por essa noite, só algumas horas, depois eu posso ir para casa, enterrar meus pais e então, deixar tudo para trás. Eu não precisarei vê-los nunca mais."

Saí do banheiro, e assim que virei o corredor, senti uma mão segurar firme meu pulso, e olhei para o homem a minha frente.

— Onde você estava? Vocês querem me enlouquecer? A sala VIP 5 está sem nenhuma atendente, venha logo! — disse o gerente do clube.

Confusa, e antes mesmo que eu pudesse responder, vi meu corpo ser puxado.

— Hey, espere, o que está fazendo?! — perguntei tentando me soltar, mas não consegui, e logo ele parou em frente a uma porta.

— Esse é um cliente VVIP, sirva ele com sua vida, se eu ouvir uma reclamação, eu demito você!—

Levantei uma sobrancelha, confusa.

— Do que você está falando? Eu não traba.. .—

— Ande logo, não o faça esperar! —

Antes que eu pudesse terminar de explicar, ele me empurrou para dentro da sala, e a porta se fechou atrás de mim.

"O que foi isso? Ele me confundiu com uma atendente daqui?"

Me perguntei, e estava prestes a sair da sala, quando notei a figura sentada no sofá.

Sua postura elegante e ao mesmo tempo bagunçada, com um copo de uísque vazio na mão, o corpo levemente inclinado para trás, como se aquele lugar inteiro lhe pertencesse, sentado como um rei no meio daqueles caos em que estava a sala.

Ele levantou o Olhar, e todo meu corpo gelou ao encontrar aqueles olhos negros novamente.

Dante Franconi.

Esse definidamente não é o meu dia.

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